Pulpotomia resolve casos de traumatismo pulpar superficial

Share on facebook
Compartilhe
Share on twitter
Tweet Isso
Share on linkedin
Compartilhe

Você chega ao dentista depois de sofrer um forte impacto no dente, resultando em uma lesão e muitas dores na arcada dentária. Após avaliar o órgão dental em questão, ele indica que será necessária a realização de uma pulpotomia.

Apesar do nome um tanto quanto peculiar, não é preciso ter medo. A pulpotomia é um procedimento extremamente comum e realizado diariamente em qualquer consultório odontológico do Brasil.

Pulpotomia consiste no método de remoção da polpa coronária de um dente lesionado quando o trauma não chega a atingir a polpa radicular.

Quer entender mais sobre esse técnica? É só continuar por aqui!

O que é pulpotomia na odontologia?

Antes de entender o que é pulpotomia e qual o seu objetivo, primeiro é necessário compreender o que é a terapia endodôntica e sua função dentro da odontologia.

A endodontia pode ser definida como a área responsável pelo estudo da polpa, tecido periapical e raiz dentária, sendo “endo” = dentro/interno e “dontia” = dente.

Assim, esse ramo da odontologia trata a estrutura interna do dente, incluindo etiologia, diagnóstico, terapêutica e profilaxia das doenças e lesões que afetam essa região do elemento dental.

Por sua vez, a polpa do dente é um tecido que ocupa a porção central do dente e que se estende da dentina à raiz do dente, sendo composta por nervos, vasos sanguíneos, células do conjuntivo e fibras. Dessa forma, a polpa dental é responsável pela vitalidade do dente.

A polpa dentária pode ser dividida, ainda, em duas porções: a polpa coronária, localizada na câmara pulpar, e a polpa radicular, que se encontra no canal radicular.

Hoje em dia a prevenção é vista de forma prioritária na odontologia, o que inclui a endodontia. Dessa maneira, todos os procedimentos que envolvem a prática clínica são direcionados à preservação da estrutura dental saudável, inclusive do complexo dentina-polpa, sendo a extração dentária a última alternativa.

Assim, em um contexto de exposição pulpar acidental, seja decorrente de traumas ou cárie dentária, por exemplo, é preciso analisar do ponto de visto endodôntico o melhor método de tratamento a ser adotado.

Técnica endodôntica: pulpotomia

A pulpotomia é uma técnica endodôntica conservadora que pode ser utilizada para casos de infecção da polpa dentária.

Contudo, esse procedimento só pode ser realizado em casos em que a infeção ou trauma não atingiu a polpa radicular, localizada logo abaixo da coronária.

Isso porque esse método consiste na extração exclusiva da polpa coronária, de forma a preservar a radicular.

Assim, o tecido pulpar remanescente é protegido com um material capeador que preserva sua vitalidade e estimula o processo de reparo e formação de tecido mineralizado, mantendo a estrutura e função do tecido pulpar radicular normais.

Observações sobre a pulpotomia

Observações sobre a pulpotomia

Como em qualquer intervenção cirúrgica, para a realização de uma pulpotomia é necessário obter um breve panorama sobre estrutura que será operada.

Assim, é necessário que o dentista realize um exame clínico-visual na polpa dentária, analisando sua consistência e o sangramento.

É interessante que o sangue apresente uma coloração vermelho claro. Caso ele esteja muito escurecido, pode ser que não esteja sendo bem oxigenado.

O profissional ainda deve utilizar uma cureta para constatar a consistência do remanescente pulpar na boca do paciente.

O comum é que, nesse tipo de situação, ele apresente um aspecto pastoso, quase líquido. Ainda durante a análise, é legal investigar o estado da coroa dentária.

Ela deve estar quase intacta e com suas paredes espessas e bastante resistentes. Quando a coroa não apresenta estas características, é comum que outro procedimento seja recomendado.

Quando a pulpotomia é indicada?

Quando a pulpotomia é indicada?

Um exemplo bastante comum de indicação para pulpotomia é quando o paciente apresenta um traumatismo com lesão pulpar. Entretanto, ele pode ser indicado em variadas situações, como:

  • Dente livre de pulpite radicular;
  • Dentes que possuem o ápice sem cemente (rizogênese incompleta) em casos de pulpite;
  • Hemorragia no local da amputação;
  • Presença de pelo menos 2/3 do comprimento radicular;
  • Ausência de abscesso, fístula, mobilidade, reabsorção interna;
  • Radiopacidade óssea na região de furca;
  • Cárie dentária extensa.

Assim como grande parte das terapias odontológicas, a pulpotomia também possui suas contraindicações, são elas:

  • Casos com dor espontânea e persistente (pois o recomendado é a extração completa da polpa);
  • Reabsorção radicular externa patológica e interna;
  • Calcificações pulpares;
  • Tumefação de origem pulpar;
  • Mobilidade patológica;
  • Necrose pulpar.

Protocolo clínico

Protocolo clínico da pulpotomia

Antes de qualquer coisa, é importante dizer que o procedimento pode ser realizado em todos os tipos de dentição. Assim, existe a pulpotomia em dentes decíduos e a pulpotomia em dentes permanentes.

Os procedimentos são bastante semelhantes, se diferenciando apenas em algumas pequenas individualidades.

Essa técnica pode ainda ser realizada de duas diferentes maneiras, como a técnica mediata e imediata. A primeira é realizada em duas sessões, enquanto a segunda em uma única.

Na primeira sessão da técnica mediata, os procedimentos básicos – que serão descritos em breve – são executados normalmente, porém aplica-se um selamento duplo provisório para que o dente não fique exposto ao meio bucal até que na próxima sessão seja retirado.

Já na imediata, o selador é aplicado na câmara por 40 segundos e, em seguida, já pode-se realizar a restauração.

Passo a passo

Aqui iremos explicar como o procedimento é efetuado de uma maneira geral:

  1. Inicialmente, o paciente é sedado através da aplicação de anestesia local. Assim que a medicação faz efeito, o dentista realiza o isolamento absoluto da região e pode iniciar a remoção do tecido cariado e/ou lesionado;
  2. Em seguida, ele alcança outra camada do dente, o teto da câmara pulpar, que também será removido. Assim, é possível efetuar a excisão da polpa coronária utilizando curetas afiadas ou brocas esféricas lisas. Nessa fase é importante lavar a ferida cirúrgica com água limpa abundante;
  3. Após a higienização, ocorre a hemostasia espontânea, seguida da secagem da ferida com um pedaço de algodão esterilizado. Com isso, o dentista pode solução de aplicar uma solução de corticosteróide-antibiótico por 10 a 15 minutos;
  4. Por fim, ocorre a aplicação de hidróxido de cálcio puro e cimento de ionômero de vidro odontológico, uma vez que estas duas substâncias se complementam. E seguida, o excesso de material é removido das paredes laterais e é instalada uma restauração provisória ou imediata.

Materiais obturadores utilizados na técnica

Materiais obturadores utilizados na pulpotomia

Como vimos, após a perfuração radicular e extração da polpa coronária é preciso que o endodontista utilize medicamentos para a preservação da região. No protocolo clínico acima vimos a aplicação do hidróxido de cálcio, um dos materiais mais comuns utilizados nesse técnica.

Contudo, outros materiais podem ser usados nesse procedimento. Confira a seguir quais são eles:

  1. Hidróxido de cálcio
  2. Formocresol
  3. Glutaraldeído
  4. Sulfato Férrico
  5. MTA
  6. Laser
  7. BMPs
  8. Para Guedes-Pinto

Hidróxido de cálcio

O hidróxido de cálcio é um material indicado especialmente para os casos de regeneração pulpar, pois possui propriedades antibacterianas.

Trata-se de um pó branco, cristalino, altamente alcalino e solúvel em água.

Seu efeito no tecido pulpar é a redução do processo inflamatório. Além disso, também atua como vasoconstritor capilar e indutor no processo de mineralização.

Dentre suas vantagens se destaca a inalteração da cor da câmara pulpar, o que o torna indicado para dentes anteriores. Também induz a formação dentinária.

Por outo lado, tem como desvantagem o risco de promover necrose do tecido adjacente.

Formocresol

O formocresol é um material que costuma ser mais indicado peara o tratamento de desvitalização pulpar.

É apresentado em forma líquida, aplicado sobre o remanescente pulpar com bolinha de algodão e pinça clínica.

Sua ação bactericida e antisséptica possui alta porcentagem de sucesso clínico a curto prazo.

Como vantagem possui uma facilidade de uso grande. Por outro lado, alguns estudos demonstram que esse material pode ter efeito tóxico.

Glutaraldeído

O glutaraldeído é um material capaz de fixar os tecidos superficialmente e manter a vitalidade do tecido pulpar. Além disso, quando comparado ao formocresol, apresenta menores índices de reações pulpares indesejáveis.

Sua aplicação também é realizado por meio da bolinha de algodão estéril e pinça clínica.

As desvantagens desse material são sua incapacidade de induzir a formação de barreira dentinária e o efeito de produção de trombose, isquemia e coagulação,

Sulfato Férrico

O sulfato férrico é mais indicado para tratamentos de dentes que deverão ficar na boca por um período superior a 36 meses.

Trata-se de um material com alta taxa de sobrevivência pulpar, além de ser eficiente no controle imediato da hemorragia. Seus resultados clínicos demonstrados em estudos são favoráveis.

É apresentado em forma líquida, sem epinefrina, com sulfato férrico a 15,5%.

MTA

A pulpotomia com MTA, material mais conhecido por Agregado Trióxio Mineral, é um ótimo selador endodôntico.

Quando comparado com o hidróxido de cálcio, estudos indicam uma melhor formação de ponte de dentina tubular. Isto quer dizer que esse material tem potencial de induzir os odontoblastos aformar barreira dentinária.

Trata-se de um material em pó que deve ser misturado com água destilada para realizar a aplicação.

Uma das vantagens do MTA é que pode ser usado em locais úmidos. Por outro lado, possui manipulação difícil e um tempo de presa muito longo.

Laser

O laser de dióxido de carbono costuma ser usado em pulpotomias de dentes decíduos.

O laser de baixa intensidade, em especial, possui maiores índices de sucesso clínico e radiográfico nos quesitos de absorção interna e calcificação pulpar se comparado ao hidróxido de cálcio. Contudo, não está associado a formação de barreira dentinária.

Uma das principais vantagens do laser é de não causar nenhum tipo de efeito tóxico, além de ter efeito esterilizante. Porém, trata-se de um material de alto custo.

BMPs

As BMPs, ou Proteínas Morfogenéticas do Osso, são proteínas que estão presentes na matriz óssea e são capazes de induzir a diferenciação celular.

Estudos indicam que essas proteínas demostram capacidade indutora e formadora de osteodentina ou dentina como proteção biológica no tecido pulpar.

Pasta Guedes-Pinto

A pasta Guedes-Pinto é um material mais utilizado em universidades brasileiras.

É um material caracterizado por ser antisséptico, antimicrobiano e anti-inflamatório, com associação corticosteróide-antibiótica.

Se comparada com o formocresol e o glutaraldeído, possui menor citotoxicidade.

Qual a diferença entre pulpotomia e pulpectomia?

Qual a diferença entre pulpotomia e pulpectomia?

Quando ouvimos falar sobre a pulpotomia, logo lembramos de uma terapia endodôntica de nome muito similar, a pulpectomias.

Mas, afinal, pulpotomia e pulpectomia são a mesma coisa? Só muda a maneira de falar? Existe diferença entre pulpotomia e pulpectomia?

De fato, algumas pessoas fazem uma tremenda confusão ao falar sobre a pulpotomia e a pulpectomia. Realmente os nomes, e até os procedimentos, são semelhantes, mas não iguais.

Como já explicamos anteriormente, a pulpotomia é uma técnica realizada quando a lesão atinge apenas uma pequena parte da polpa coronária. Mas e quando a cárie ou o trauma também atingem a polpa radicular e é preciso extrai-la?

Ta aí! Essa é a pulpectomia. Trata-se de uma técnica  utilizada em situações onde a polpa dentária é integralmente danificada.

Logo, a pulpotomia promove a remoção parcial do tecido pulpar, enquanto a pulpectomia consiste na remoção total da polpa dentária do paciente.

Quais são as vantagens dessa técnica endodôntica?

Quais são as vantagens da pulpotomia?

A pulpotomia pode possuir diversas vantagens, especialmente quando comparada à pulpectomia.

Isso porque os tratamentos de canais radiculares – pulpectomia – somente atingem bons níveis de sucesso quando são realizados por profissionais especializados. Além disso, seu alto custo torna o tratamento inviável para pessoas de baixa renda.

Por outro lado, o procedimento de pulpotomia pode ser uma melhor conduta a ser adotada, uma vez que é um procedimento de baixo domínio, isto é, consideravelmente mais fácil de ser executado pelo dentista, além de ter um custo mais reduzido.

Isso evita a prática da exodontia – extração do dente – desnecessária em uma população em que o acesso ao tratamento endodôntico é irrealizável economicamente.

Outras vantagens que a pulpectomia apresenta é a preservação da vitalidade radicular do dente, uma vez que apenas parte da polpa dental é extraída.

Esse procedimento também pode ser realizado tanto em dentes decíduos como em dentes permanentes.

Outras técnicas de proteção do complexo dentino-pulpar

Outras técnicas de proteção do complexo dentino-pulpar

Como acabamos de ver, a pulpotomia é uma técnica endodôntica que tem como objetivo a proteção do complexo dentino-pulpar contra lesões e ação bacteriana.

Esse tipo de técnica tem como principal objetivo prevenir e exposição pulpar. Mas você sabia que a pulpotomia não é a única? Conheça a seguir outras técnicas de proteção do complexo dentino-pulpar:

  1. Capeamento pulpar direto
  2. Capeamento pulpar indireto
  3. Curetagem

Capeamento pulpar direto

capeamento pulpar direto é definido com um curativo de uma polpa exposta que está clinicamente normal e não possui sinais e sintomas da doença pulpar grave.

A cura da polpa é estimulada pelo material capeador que produz tecido mineralizado e fecha a área de exposição, evitando a micro-infiltração e penetração de bactérias.

Trata-se de um tratamento simples, barato e que possui mais sucesso em dentes mais jovens.

Capeamento pulpar indireto

Já o capeamento pulpar indireto é uma terapia pulpar caracterizada pela remoção apenas do tecido infectado e necrosado, mantendo a dentina que, mesmo desmineralizada, ainda possui vitalidade.

Antes de realizar o procedimento é necessário que uma análise cuidadosa do estado da polpa seja feita. Essa técnica é usada em dentes nos quais a inflamação pulpar foi considerada mínima e que a remoção completa do tecido desmineralizado pela cárie acarretaria em uma exposição pulpar.

O capeamento pulpar indireto se baseia no seguinte fato:

Quando a dentina é atingida pela cárie os ácidos dessas bactérias a amolecem antes mesmo que haja a invasão bacteriana. Dessa forma, existem duas camadas de dentina amolecidas na cárie, onde a mais externa é infectada e a mais profunda está desmineralizada, mas livre da infecção.

A técnica propõe, então, a extração da camada infectada, preservando a mais profunda, contanto com o fato de que a dentina desmineralizada não infectada pode remineralizar de forma natural.

Curetagem

A curetagem pulpar consiste no corte e na remoção mais superficial da polpa exposta. Então, a superfície remanescente é coberta por um material que promove à polpa condições para criar uma camada de dentina.

Assim, o restante da polpa é preservado, permitindo sua sobrevivência e funcionalidade. Essa técnica é indicada em casos de pequena exposição por cárie traumas acidentais ou durante o preparo cavitário, ou, ainda, quando ocorre remoção deliberada da camada remanescente de dentina nas cáries muito profundas.

Todas essas técnicas de proteção do complexo dentino-pulpar levam em consideração o princípio de prevenção e preservação do elemento dental na odontologia.

Vale lembrar que o método de tratamento adotado para tratar a cárie ou lesões dentais, seja ele a pulpotomia, capeamento pulpar ou curetagem, deve ser decidido pelo seu dentista. Para receber o tratamento mais indicado para o seu tipo de caso, procure um endodontista capacitado e agende uma consulta.

Valdir de Oliveira
Valdir de Oliveira
Valdir de Oliveira é cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela Universidade de Santo Amaro (UNISA) e pós-graduado em Ortodontia e Ortopedia dos Maxilares pela Sboom. Possui especialização e mestrado em Implantodontia, habilitação em Harmonização Orofacial e Anatomia da Face. Também é professor nas áreas de Cirurgia Bucomaxilofacial e Harmonização Orofacial e voluntário há mais de 20 anos na Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA Brasil). Com o registro no Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CRO-SP) nº 52860, Valdir integra a equipe odontológica do Instituto Bernal e Oliveira, que está localizado na Avenida dos Imarés, 572A - Indianópolis, São Paulo - SP.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Sobre a Simpatio
Somos dedicados em criar conteúdo de qualidade e informativo. Nossa missão é informar pacientes, dentistas e clínicas provendo conteúdos altamente relevantes sobre odontologia e saúde bucal gratuitamente.
Agende uma consulta
Precisando de algum tipo de ajuda ou apoio relacionado a sua saúde ou estética bucal? Clique no botão abaixo!

Postagens Recentes

Receba Nossos Conteúdos

Preencha seu e-mail acima e receba conteúdos exclusivos gratuitamente!

Simpatio 2021 © - Todos os Direitos Reservados

As informações contidas neste site têm como objetivo único informar. A Simpatio tem o compromisso de estimular, e nunca substituir, as relações entre dentistas e pacientes. Sempre deixamos isso muito claro nos textos e na comunicação com nossos leitores. É fundamental que o paciente, ao notar qualquer alteração em sua saúde bucal, consulte seu dentista de confiança. Cada indivíduo requer um tratamento personalizado.

Os conteúdos da Simpatio são escritos por jornalistas e possuem a supervisão e a aprovação de dentistas e de profissionais de saúde parceiros.