Odontogeriatria é imprescindível ou posso consultar um clínico geral?

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Embora possua muita demanda, segmento da Odontologia ainda não é tão explorado

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), todo indivíduo com 60 anos ou mais é considerado um idoso. Doenças comuns nesta etapa da vida complicam a rotina de higienização bucal dos mais velhos. Por conta disso, foi criada uma especialização para tratar a saúde bucal do idoso: a Odontogeriatria.

O Brasil está deixando de ser um país de jovens. A projeção é que em 2060 tenha mais idosos que jovens, segundo o IBGE. Isso exige uma análise criteriosa do panorama socioeconômico e cultural, o que não exime as áreas da saúde da questão. O crescimento da Odontogeriatria está ligado a essa necessidade.

A Odontogeriatria é o ramo que tem como foco o cuidado bucal da população idosa e o estudo dos fenômenos decorrentes do envelhecimento. Esta área tem como objetivo a promoção da saúde, o diagnóstico, a prevenção e o tratamento de enfermidades bucais e do sistema estomatognático do idoso.

Os dentistas para idosos procuram acompanhar a saúde bucal e interromper complicações logo no início.

Diversos tipos de doenças possuem sua causa conectada à falta de higiene bucal, o que pode favorecer doenças sistêmicas comuns em idosos, como osteoporose, artrite, artrose, diabetes, problemas cardiovasculares e endócrinos.

  1. Quando a Especialidade Surgiu?
  2. O Que Faz um Especialista em Odontogeriatria?
  3. Vantagens da Especialização em Odontogeriatria
  4. Por Que a Odontogeriatria é Importante?
  5. Como Manter a Saúde Bucal dos Idosos?

Quando a Especialidade Surgiu?

A especialização em Odontogeriatria surgiu nos EUA, durante a década de 1960, mas só foi realmente reconhecida academicamente a partir dos anos 80.

Ela chegou ao Brasil no final do século XX, em função do aumento da quantidade de pessoas idosas na população. No entanto, no país, ela tardou ainda mais para ser legitimada: apenas em 2002.

Esse aumento populacional foi incentivado pelo crescimento econômico que o país apresentava à época. Por consequência, prolongou a expectativa de vida das pessoas.

O número de idosos continuará aumentando substancialmente nos próximos anos. Por isso, a Odontogeriatria é um segmento da Odontologia que passará a ter bastante demanda. Até o momento, ela conta com poucos especialistas.

Para se ter uma ideia, conforme informou o IBGE, em 2017, o Brasil ultrapassou a marca de 30 milhões de idosos. Enquanto isso, segundo o CFO, o sistema conta com 275 profissionais cadastrados.

A Câmara Técnica de Odontogeriatria

Essa Câmara é conhecida principalmente pelo trabalho que faz. Ela incentiva o aprimoramento científico para a Odontogeriatria.

Um de seus papeis mais importantes é o de estimular diálogo com profissionais de outras áreas ligadas à geriatria. A maneira encontrada para que isso fosse colocado em prática foi por meio de materiais didáticos, que expõem o que o envelhecimento pode ocasionar.

Assim, consegue informar os profissionais e mantê-los atualizados sobre os conceitos da Gerontologia.

Atualmente, a Câmara busca organizar todos os protocolos clínicos da Odontogeriatria.

O Que Faz um Especialista em Odontogeriatria?

importância da odontogeriatria

Existem quatro áreas que um especialista pode atuar. A importância da Odontogeriatria pode ser vista através dessas competências. Confira-as:

  1. Impacto de fatores sociais e demográficos no estado de saúde bucal dos idosos;
  2. Envelhecimento do sistema estomatognático e suas consequências;
  3. Estudo, diagnóstico e tratamento das patologias bucais do paciente idoso, inclusive as derivadas de terapias medicamentosas e de irradiação, bem como do câncer bucal;
  4. Planejamento multidisciplinar integral de sistemas e de métodos para atenção odontológica ao paciente geriátrico.

Como um profissional que irá tratar um público mais sensível e que, muitas vezes, exige maior cuidado, delicadeza e paciência, algumas atitudes podem fazer toda diferença:

Realize um atendimento humanizado

Assim como em qualquer área da Odontologia, esse tipo de procedimento pode ser o diferencial do atendimento. O atendimento humanizado faz com que o paciente não se sinta só como mais um.

O que costuma ocorrer nessas consultas é um atendimento personalizado, que busca sempre conhecer as necessidades, os medos e os desejos do paciente de maneira individual.

Para idosos, isso é fundamental. Nesta idade, tornam-se pessoas que requerem maiores atenções, por isso precisam ser ouvidas e sentir que estão sendo valorizadas.

Escute o que seu paciente tem a dizer

Assim como já explicamos, dar ouvidos e se interessar em como o paciente está costuma fazer toda diferença.

É comum que o dentista se depare com pacientes que desabafam também sobre seus problemas pessoais. Então, esteja preparado, calmo e ciente de que em algum momento isso acontecerá com você.

Mas é importante estabelecer limites. Atitudes que atrapalham o andamento da consulta precisam ser revistas.

Evite fazer perguntas complexas

Com o avanço da idade, as pessoas podem desenvolver um raciocínio mais vagaroso e até mesmo se confundir na hora de lembrar uma situação.

Por essa razão, tenha cuidado e paciência na hora de fazer perguntas. Simplifique os questionamentos e, se possível, evite utilizar termos técnicos.

Se o paciente estiver com dificuldades para entender o tratamento, peça para conversar com alguma pessoa próxima. Isso facilita a orientação.

Prepare um ambiente confortável

Uma clínica que conta com a especialidade de Odontogeriatria em seus atendimentos deve estar ciente e em dia com as questões de acessibilidade e de estrutura.

Considerando que a qualquer momento uma pessoa com restrição nos movimentos pode entrar no consultório, o ideal é estar sempre preparado.

Idosos podem usar bengalas, andadores ou cadeiras de rodas. Dessa forma, planeje um local com fácil acesso, sem obstáculos que impeçam a locomoção.

A decoração do ambiente também ajuda a ser confortante. Os mais velhos preferem lugares mais calmos, livres de músicas muito agitadas e de cores fortes.

Permita a entrada de acompanhantes

Todo e qualquer paciente pode se sentir inseguro e com medo da consulta. Porém, os idosos e as crianças costumam se destacar nessa categoria. E a simples companhia de alguém de confiança auxilia a vencer a fobia.

Além disso, o acompanhante pode ser fundamental na hora de informar o histórico do paciente. Geralmente, essa pessoa costuma conviver com o idoso, o que garante que as recomendações serão seguidas.

Adote novas tecnologias no atendimento

Cada vez mais, há a presença de novas tecnologias nos procedimentos odontológicos. Esses avanços são importantes porque fazem surgir tratamentos menos invasivos, mais seguros e mais confortáveis – tudo o que os mais experientes precisam.

Vantagens da Especialização em Odontogeriatria

odontogeriatrista

Nada impede que um idoso seja atendido por um dentista clínico geral ou com outra especialização no currículo. Mas a vantagem do odontogeriatrista é que ele é especialista nas características da cavidade bucal do idoso.

Portanto, tem maior conhecimento para atender pessoas da terceira idade, especialmente quanto às principais doenças que costumam acometê-las.

Outro ponto importante é que a especialidade é muito utilizada pelos estudantes como um campo de pesquisa acadêmica.

Assim, se houver avanços quanto aos cuidados bucais para idosos, certamente os especialistas em Odontogeriatria serão os primeiros a acessá-los.

Cuidar da saúde bucal não é algo que se possa abrir mão. O corpo é um organismo e todos os seus elementos estão interligados. Logo, se a saúde da boca não está bem, certamente isso afetará todo o sistema.

Por Que a Odontogeriatria é Importante?

diabetes

Algumas pessoas ainda perguntam se a Odontogeriatria é realmente imprescindível e se um clínico geral já não é capaz de tratar os idosos. É claro que ele é capacitado. No entanto, os principais motivos que justificam a escolha por um especialista são:

  1. Os problemas bucais comprometem o sistema digestivo do idoso e sua saúde sistêmica;
  2. A falta de dentes aumenta as chances de desenvolver câncer, infarto e derrames cerebrais;
  3. O surgimento de doenças sistêmicas que se manifestam na terceira idade;
  4. A importância da saúde bucal em uma população de idosos;
  5. O entendimento de que há necessidade de realizar a profilaxia antibiótica em casos específicos;
  6. As alterações que ocorrem na boca conforme o paciente envelhece.

No caso dos idosos, é fundamental que os cuidados com a saúde da boca sejam bem realizados, principalmente porque acontece uma mudança no comportamento do corpo.

Um caso muito comum é o de pacientes que não corrigiram problemas quando eram mais novos. Isso faz com que a cavidade bucal fique desajustada, permitindo que o problema se agrave e fique ainda mais difícil de ser resolvido.

Confira algumas das mudanças que o corpo sofre com a idade e de que forma elas influenciam a nossa qualidade de vida:

  • Perda de tonicidade na língua;
  • Diminuição da sensibilidade gustativa;
  • Decréscimo do fluxo salivar;
  • Perda de dentes;
  • Diminuição da produção do suco gástrico.

Vamos entender um pouco mais sobre cada uma delas e como elas afetam o dia a dia dos idosos?

Perda de tonicidade na língua

É normal que, com o passar dos anos, a região da língua fique mais fraca. Consequentemente, suas funcionalidades também se perdem.

O problema é que o idoso começa a ter certas dificuldades nas atividades básicas do dia a dia, como falar e se alimentar. Por isso, o cirurgião-dentista, os amigos e os familiares da pessoa devem atentar-se a sinais

Diminuição da sensibilidade gustativa

Quando comparado a jovens, pessoas mais velhas apresentam menor sensibilidade nas papilas gustativas.

Além de ser algo desagradável e que torna as refeições menos prazerosas, existe um problema maior por trás desse caso.

Como não conseguem mais sentir os sabores de forma acentuada, acabam exagerando em temperos e em condimentos, na tentativa de fazer com que o gosto seja realçado.

Porém, como um problema leva a outro, exagerar nessas substâncias pode fazer o corpo sofrer certos distúrbios, que afetam inclusive o sistema bucal da pessoa.

Fluxo salivar reduzido

Sabemos que nessa idade os medicamentos são mais frequentes, não é?

Bem, o fluxo salivar em pessoas idosas já costuma apresentar uma diminuição natural. Mas alguns remédios, como o de diabetes, são os principais vilões dessa história, pois a diminuição da saliva traz consequências. Uma das mais conhecidas é a halitose, popularmente conhecida como mau hálito.

Fora isso, complica também a alimentação, porque a saliva é um dos agentes que iniciam a digestão. Com isso, o simples ato de engolir alimentos pode tornar-se angustiante.

Perda de dentes

Infelizmente, a perda de dentes é uma ocorrência bastante frequente em idosos.

Entretanto, é importante deixar claro que isso não é um fator natural e que acontece por alguma motivação, que pode ser algum distúrbio presente na boca do paciente, como cárie e doenças periodontais, ou alguma razão externa, como a dieta e a escovação.

É importante ressaltar que essas razões externas por si só não causam perda dentária. Elas estimulam o aparecimento de transtornos, como os mesmos que foram citados anteriormente.

Cabe ao dentista identificar a causa e tratá-la.

Diminuição da produção de suco gástrico

A redução da produção de suco gástrico no estômago também atinge esse grupo. Somado à redução do fluxo salivar e à perda dentária, a digestão fica excessivamente prejudicada.

Como Manter a Saúde Bucal dos Idosos?

paciente idoso

Alguns hábitos podem prevenir ou minimizar os problemas bucais na terceira idade. Uma solução que tem auxiliado muitos idosos é a escova elétrica.

Em virtude da praticidade e de fazer menos esforço, ela tem sido a escolha predileta de muitas pessoas.

Vamos ver como essa e outras dicas facilitam a vida dos idosos?

Optando por uma escova de dentes elétrica

Como dissemos anteriormente, com o passar do tempo, a força e a firmeza nas mãos diminuem. Com isso, realizar movimentos eficientes ficam complicados.

Uma ótima dica é optar pela escova de dentes elétrica. Ela simplifica a limpeza dos dentes, sem que o paciente tenha que fazer grandes esforços.

Visitas frequentes ao odontogeriatrista

Por meio de consultas frequentes, o odontogeriatrista pode acompanhar de perto como anda a saúde bucal e, caso perceba alguma alteração, recomendar os tratamentos mais adequados.

O indicado é que o paciente idoso consulte um especialista, pelo menos, a cada seis meses. Mas, se houver necessidade, ele deve visitá-lo o quanto antes.

Cuidado com as próteses dentárias

Em decorrência da perda de dentes, o grupo dos idosos é o que mais faz uso de próteses, em especial das parciais. Elas facilmente acumulam restos de alimentos. Por isso, é indispensável manter uma higiene bucal correta.

Se não a fizer, irá contribuir para a proliferação de bactérias, aumentando as chances de inflamar as gengivas e de ter mau hálito.

Hidrate-se sempre

Hidratar-se é a melhor maneira de corrigir a deficiência na produção salivar, o que ajuda a prevenir lesões causadas pela adaptação à prótese, por exemplo.

Agora que você sabe tudo sobre a Odontogeriatria, não esqueça de visitar frequentemente o dentista e fazer um acompanhamento odontológico.

Ramiro Murad Saad Neto

Ramiro Murad Saad Neto

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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