História da Odontologia: os primeiros registros até hoje

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Você sabe qual foi a origem da odontologia?

Quem já sofreu com a dor de dente sabe o quanto é incômodo. Imagine lidar com essa dor em uma época em que não existiam dentistas! A história da odontologia se inicia, justamente, pela necessidade do homem de cuidar dos problemas bucais que atrapalhavam sua vida.

Nesse artigo, vamos mergulhar na história da odontologia – dos seus primeiros registros até hoje. Embarque nessa viagem com a gente!

Quando surge a odontologia?

A história da odontologia começa na antiguidade. Afinal, a manutenção dos dentes é uma questão de sobrevivência! Sem os dentes, o ser humano encontra problemas para comer e se comunicar pela fala, dois fatores importantes.

Por isso, lidar com a saúde bucal, assim como lidar com a saúde do corpo como um todo, era um fator essencial para que os indivíduos vivessem por mais tempo.

No entanto, assim como aconteceu com a medicina, esses cuidados eram designados aos xamãs e curandeiros. Havia muito da religião nos procedimentos e não havia uma ciência que embasasse as decisões.

O objetivo era aliviar ou se livrar de dores, principalmente.

É possível afirmar que a odontologia e a medicina nasceram juntas, seus cuidados nas mãos das mesmas pessoas, sem a separação do que era cuidado com o corpo e o que era cuidado com a boca.

Foi um longo caminho até que fosse chamada de Arte Dentária e um caminho ainda mais longo até que se tornasse uma Ciência da Saúde.

Quais são os registros dessas práticas?

É difícil apontar o início exato da odontologia através dos registros, já que a prática precede o surgimento da escrita.

Alguns estudos, baseados em escavações, apontam que os neandertais já possuíam ferramentas odontológicas rudimentares. Na Itália, um dente polido foi encontrado e a datado com idade entre 13.820 e 14.160 anos.

O que podemos concluir é que práticas odontológicas, ainda que rudimentares, existem há milênios. Reunimos aqui alguns registros interessantes, que ajudam a reconstruir a história da odontologia. 

Paquistão

Esse é o local onde muitos acreditam ser, de fato, “o começo” das Artes Dentárias.

Durante uma escavação no Paquistão foram encontrados nove indivíduos com um total de 11 dentes que receberam escavações com o que seriam os equipamentos manuais ancestrais das brocas em peças de mão.

A conclusão dos cientistas é que foram realizadas nos pacientes em vida – e que os mesmos sobreviveram!

Os restos humanos datam de mais de 9000 anos. Embora as cavidades tenham resistido, o mesmo não aconteceu com o material restaurativo.

Egito

O Egito é conhecido por suas contribuição na medicina e seus estudos com o corpo humano. Sua interação com a história da odontologia não deixa a desejar.

As primeiras referências à odontologia no Egito datam de 3.700 a.C. Em manuscritos, foram encontradas citações sobre problemas bucais, como dores de dente e feridas gengivais.

É no Egito que temos, também, o registro do que seria o primeiro dentista. Resy-Ra foi o primeiro a receber o título de profissional do cuidado dentário. Sua morte é datada em 2600aC.

Mesopotâmia

Aqui, encontramos o que seria as primeiras teorias em cima das doenças bucais.

Em documentos de cerca de 3500 a.C., é possível observar uma menção ao verme dentário. Ele era considerado o responsável pela destruição da estrutura dentária – provavelmente, o que hoje chamamos de cárie.

Grécia

A Grécia é o berço de várias ciências. Seus filósofos se dedicavam a estudar e registrar as mais diversas descobertas e conhecimentos da época. A odontologia não ficou de fora!

Hipócrates, o “pai da medicina”,  descreveu em seus estudos aspectos da odontologia, como a cárie dentária, má-oclusão, abscessos e outros.

China

Na China, encontramos mais teorias sobre as doenças bucais.

Achados antropológicos mostram que os chineses acreditavam que a cárie dentária era causada pelo verme dental – uma teoria muito parecida com aquela da Mesopotâmia.

As terapêuticas e diagnósticos eram baseados em rituais mágico-religiosos.

O famoso “verme dentário”

Como podemos perceber, uma teoria recorrente na história da odontologia foi a do verme dentário – que nada mais era do que a cárie!

Como já vimos aqui, a cárie sem tratamento pode levar a perda total do dente, causando dores fortes e orifícios na estrutura dentária.

Ao ver tais buracos nos dentes, a “teoria do verme dentário” se tornou a mais sensata para pensadores de diversas regiões.

Os tais vermes dentários podem ser encontrados em registros de pensadores sumérios, poetas e filósofos gregos e até mesmo nas culturas indiana, japonesa, chinesa e egípcia.

Esse pensamento durou muito mais do que se imagina. Há registros que esse pensamento permaneceu na Europa até meados de 1300 d.C.

Quando surgiram os primeiros dentistas?

Como vimos, Resy-Ra foi o primeiro homem na história da odontologia a levar o título de profissional do cuidado dentário. Podemos considerá-lo o primeiro dentista, mas o termo dentista só foi criado muito tempo depois.

Guy de Chauliac, em 1363, introduz ao mundo o termo “dentista”. O francês também foi o primeiro a recomendar que a extração dentária fosse realizada apenas por esses “dentistas”.

A partir daí, a figura dos “tiradentes” ficou extremamente conhecida até meados de 1700. Essa prática não era realizada em consultórios, podendo acontecer até em praças públicas.

Muitos tiradentes praticavam sua profissão em locais públicos justamente por ser algo que atraía multidões – seja para realizar o procedimento ou para assistir o “show”.

O Pai da Odontologia Moderna

Nós já vimos que 1700 foi uma data importante para a odontologia – e muito se deve a ele. Pierre Fauchard é considerado o Pai da Odontologia Moderna por sua contribuição simbólica para a ciência da saúde bucal.

O francês publicou em 1728 o “Tratado dos dentes para os cirurgiões dentistas”.

A obra foi a primeira a descrever a anatomia oral, sintomas de doenças bucais, técnicas para remoções de cáries e restaurações, além de falar sobre implantes dentários.

É um marco que permitiu que a odontologia se desenvolvesse a partir de um estudo e não apenas dos resultados de suas práticas, como era até então.

Os instrumentos na história da odontologia

Tão importantes quanto o dentista, os instrumentos são o que definem a qualidade dos procedimentos e o quanto o profissional pode ajudar seus pacientes.

É por isso que, a partir de 1700, começam a surgir mais instrumentos odontológicos que respondiam as necessidades dos dentistas.

Como a maior função do dentista era a de retirar dentes, as primeiras ferramentas a serem melhoradas foram as alavancas de remoção, que ganharam melhores formatos para o uso mais seguro.

Até então, você poderia encontrar profissionais que realizavam a extração dentária com alavancas rudimentares ou com o famoso Pelicano.

O Pelicano era uma ferramenta não-anatômica que tinha que ser usada com extrema cautela pelos dentistas.

Alguns registros apontam que o uso errado do Pelicano poderia levar a extração de três dentes saudáveis na tentativa de retirar um dente cariado.

Conforme a ciência evoluiu e o entendimento sobre a estrutura da boca cresceu, os instrumentos passaram a ser mais adequados e complexos. Ainda bem!

As técnicas e procedimentos na história da odontologia

Como vimos, tudo começou com a extração dos dentes.

Essa era a maior preocupação dos profissionais, que realizavam esse procedimento sem anestesia (e com o uso dos instrumentos citados anteriormente). Ou seja, o paciente sofria não só com a dor de dente, como a dor de removê-lo.

Infelizmente, a anestesia demorou para ser aderida nos procedimentos odontológicos, sendo aplicada apenas depois de 1884. Antes dela, chegaram as restaurações.

Essas foram feitas por anos com chumbo – e colocadas sobre tecidos cariados ou comprometidos! Obviamente, a maior parte dessas restaurações resultava em problemas ainda maiores para o paciente.

As primeiras próteses eram bem rudimentares, como você pode imaginar. Os dentes eram esculpidos em osso ou marfim e sua fixação era feita com fios amarrados aos restos do dente que ficavam na boca.

Já as próteses totais eram esculpidas em marfim ou osso utilizando-se dentes humanos e de animais. Sua fixação era feita a partir de molas entre uma arcada e outra.

Um exemplo famoso de prótese total é a do presidente dos Estados Unidos, George Washington. Suas próteses estão expostas no Museu de Odontologia de Baltimore.

As coroas dentárias de porcelana surgiram apenas em 1794. No entanto, elas não foram prontamente aderidas em todo o mundo, e as próteses primitivas continuaram sendo usadas por um tempo.

Os consultórios e as cadeiras odontológicas

Os consultórios só passaram a se estabelecer como o “lugar dos dentistas” quando os equipamentos e procedimentos foram aumentando. A profissão já não se limitava a arrancar dentes e precisava de uma estrutura para ser exercida.

Um dos fatores que mais contribuiu para fixar o dentista no consultório foi o surgimento das cadeiras odontológicas. A mais antiga que temos registro foi utilizada de 1790 a 1812 pelo dentista Josiah Flagg, nos Estados Unidos.

A cadeira possuía um suporte fixo e almofadado para a cabeça, duas gavetas para os instrumentos (que ficavam sob o assento). Ela foi feita inteiramente de nogueira, e Josiah utilizava apenas a iluminação que vinha da janela.

Não muito tempo depois da cadeira de Josiah, por volta de 1810, surgem poltronas mais confortáveis. O maior diferencial fica com a bandeja acoplada, modelo que encontramos nas cadeiras até hoje.

A cadeira metálica surgiu apenas em 1870. Já os usos de alavanca para a movimentação da cadeira surgiram apenas em 1892.

A odontologia como conhecemos hoje

A história da odontologia, a partir de 1700, passa por uma evolução constante, como vimos. A cada década, mais e mais inovações tornavam a ciência estruturada e com resultados eficientes.

Relatamos aqui os mais marcantes, mas muito teve que ser deixado de fora – a história completa caberia apenas em um livro!

No entanto, achamos interessante finalizarmos contando como a odontologia se tornou parecida com a que conhecemos hoje e quando a técnica chegou ao Brasil.

Prevenção e saúde preventiva

É a partir de 1950 que a odontologia passa a ter os moldes que conhecemos hoje. Claro, muito se evoluiu de lá para cá, tanto em equipamentos quanto no entendimento de doenças e práticas.

E a história da odontologia ainda ganhou muitas páginas!

No entanto, é no século XX que a odontologia passa a se dividir em especialidades e estruturar medidas de prevenção social, por exemplo.

Você pode conhecer as especialidades da odontologia aqui e as técnicas de prevenção aqui!

Odontologia no Brasil

A história da odontologia no Brasil, infelizmente, é mais conhecida após a colonização portuguesa. Muito pouco se sabe sobre a história da odontologia dos povos nativos, pela falta de registros.

No entanto, muitas tribos apresentavam técnicas evoluídas de odontologia, que não foram absorvidas pelos portugueses.

Os tiradentes chegaram ao Brasil junto aos portugueses, aplicando técnicas muito mais bárbaras do que as utilizadas por muitas tribos em 1500.

Somente a partir de 1629 o governo português passou a exigir que os profissionais que atuassem na área tivessem “conhecimento na Arte Dentária“.

É apenas com a chegada da família real portuguesa no Brasil, que D João VI nomeia um responsável para fiscalizar a profissão no país.

O escolhido foi o cirurgião-mor do exército José Correia Picanço que passou a controlar o exercício das funções realizadas pelos sangradores, dentistas, parteiras e outros.

Em 1820, chega ao Brasil o dentista francês Eugênio Frederico Guertin para exercer a função no Rio de Janeiro. Ele foi o primeiro autor de uma obra de odontologia feita no Brasil.

A obra se chama “Avisos Tendentes à Conservação do Dentes e sua Substituição”.

Depois dele, chegaram ao Brasil outros dentistas franceses, trazendo o que de melhor havia na odontologia mundial. A partir de 1840, começaram a chegar os dentistas dos Estados Unidos que pouco a pouco superaram os franceses.

Quando surgiu o primeiro curso de odontologia?

Finalmente, no dia 25 de outubro de 1840 foi criado no Brasil o primeiro curso de odontologia (por isso o dia do dentista é 25 de outubro).

O curso tinha a duração de três anos e estava ligado à faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Ao concluir o curso, o aluno recebia o título de cirurgião-dentista.

Em 1911, o curso de odontologia se separou da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. O Brasil passou a oferecer um curso único de três anos.

A duração como conhecemos hoje só foi implementada em 1947, quando o curso de formação de dentistas passou a ter quatro anos, formando sua primeira turma em 1951.

Ufa! Depois desse rápido passeio pela história da odontologia, podemos entender a importância dos estudos acadêmicos e da evolução da prática.

Juliana Peres

Juliana Peres

Graduada em Odontologia pela Universidade Cidade de São Paulo. Pós-graduada em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial pelo programa de residência profissional do Complexo Hospitalar Padre Bento de Guarulhos. Conhecimento na área de cirurgia oral menor e maior. Residente em cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial no Complexo Hospitalar Padre Bento durante 3 anos e responsável pelo atendimento de pacientes na área de clínico geral, cirurgias orais e harmonização orofacial em diferentes clínicas.

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