Coronavírus: o que os dentistas precisam saber?

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Entenda tudo o que envolve a doença que já infectou mais de 200 mil pessoas no mundo inteiro

Nós já falamos sobre diversas tipos de doenças que podem acometer a boca do paciente. No entanto, devido à pandemia do coronavírus, nosso foco neste artigo será discutir como ele se relaciona com a odontologia.

Mas, afinal, o que é o coronavírus, como ele é transmitido, quais são as causas e sintomas que esta doença possui? Estes são os pontos que explicaremos aqui.

Também conhecido como Covid-19, o coronavírus é uma doença que se iniciou na China e se espalhou para todos os continentes do mundo. O problema é conhecido por causar infecções respiratórias.

Já adiantamos que, segundo o Ministério da Saúde, existem alguns cuidados básicos que as pessoas devem seguir para reduzir o risco de contrair ou transmitir a doença.

As medidas são:

  1. Lavar as mãos com frequência, utilizando água e sabonete. Caso não tenha um banheiro por perto, pode-se usar álcool gel, deixando-o agir até que as mãos fiquem totalmente secas;
  2. Procurar não tocar os olhos, o nariz ou a boca;
  3. Evitar qualquer tipo de contato com pessoas doentes;
  4. Permanecer em casa se estiver enfermo;
  5. Cobrir a boca e o nariz ao tossir ou ao espirrar com um lenço de papel ou com a parte de dentro do braço;
  6. Desinfetar objetos e superfícies que são tocados com frequência.

A melhor maneira de evitar a proliferação do coronavírus é por meio da realização de uma boa higiene, além de evitar aglomerações.

Portanto, se quer entender melhor tudo o que diz respeito ao Covid-19, você está no lugar certo. Vamos explicar tudo o que você precisa saber.

O que é o Coronavírus?

Com o crescimento dos casos de coronavírus ao redor do planeta, não se fala em outra coisa. Mas você sabe ao certo o que ele é?

A doença pertence à família de um vírus que gera infecções no pulmão. No final de 2019, casos ocasionados por um novo agente dessa família foram descobertos na região de Wuhan, na China. Por isso, é conhecido como novo coronavírus.

O nome surgiu no ano de 1965 após uma análise microscópica do vírus, quando foi constatado que seu aspecto é parecido com uma coroa.

De toda forma, hoje sabe-se que a família do vírus motiva complicações respiratórias. Os mais severos são os da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers).

Quando falamos em sintomas, é necessário entender que eles se assemelham muito aos de uma gripe.

Então, você deve ficar alerta caso sinta algum dos sinais abaixo listados:

  • Tosse seca;
  • Febre;
  • Dificuldade respiratória;
  • Cansaço excessivo;
  • Dores no corpo;
  • Congestionamento nasal;
  • Inflamação na região da garganta;
  • Diarreia.

Os sintomas estão presentes tanto em casos leves quanto graves. Os mais graves normalmente ocorrem porque o paciente já apresenta outras complicações de saúde. Fora isso, é importante ressaltar que os idosos configuram o principal grupo de risco da doença.

Como é feita a transmissão do Coronavírus?

A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, da mesma maneira que um vírus comum, através do ar e do contato com as secreções do paciente infectado.

Em outras palavras, a propagação do coronavírus ocorre por meio das seguintes formas:

  • Partículas de saliva expelidas enquanto alguém fala;
  • Espirro;
  • Tosse;
  • Catarro;
  • Aperto de mão, levando a mão ao olho, à boca ou ao nariz em seguida;
  • Objetos contaminados com o vírus, colocando a mão no olho, na boca ou no nariz depois.

Seu período de incubação no corpo dura entre três e oito dias. Então, o paciente pode transmiti-lo antes mesmo dos sintomas começarem. Além disso, por tratar-se de um vírus com fácil disseminação, todos devem saber algumas medidas para evitá-la.

É possível prevenir?

Agora, as dúvidas que surgem: é possível prevenir o coronavírus? Como fazer isso?

As recomendações servem para pacientes e para profissionais de saúde. As orientações, de acordo com o Ministério da Saúde, giram em torno de cuidados básicos com a higiene. Veja o que deve ser feito:

  • Lavar as mãos com água e sabonete, limpando a palma e o dorso da mão e o meio e a ponta dos dedos.
  • Se não for possível seguir o passo anterior, é indicado o uso de álcool gel, realizando os mesmos movimentos;
  • Não tocar os olhos, a boca e o nariz quando estiver com as mãos sujas;
  • Evitar aglomerações;
  • Não ter contato físico com os doentes;
  • Cobrir a boca e o nariz com um lenço ou com a parte interna do braço;
  • Objetos, como celulares, e superfícies, como mesas, devem ser desinfetados com frequência, pois o vírus sobrevive nesses locais por um período.

Especialmente para profissionais de saúde, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os outros conselhos médicos publicaram algumas advertências que precisam ser respeitadas.

No geral, envolvem o uso dos equipamentos de proteção individuais (EPI), que servem para proteger a saúde do trabalhador, e os procedimentos de biossegurança.

O Dr. José Leonardo Simone, professor da USP, indica que os equipamentos têm que ser usados não só pelo dentista, mas também pelo auxiliar.

“As medidas são as mesmas tomadas em todo atendimento, com uso de equipamentos de proteção como máscara, luva, gorro e avental descartável tanto para o profissional quanto para o auxiliar”, afirma Simone.

Além disso dos EPIs tradicionais, o Ministério da Saúde recomenda que sejam utilizados óculos de proteção para evitar o contato de partículas nos olhos.

Existe um tratamento para a doença?

Ainda não existe um tratamento específico para o coronavírus no país. No Japão, o remédio favipiravir tem surtido efeito positivo no tratamento. Mas como não tem registro na Anvisa, não pode ser comercializado no Brasil.

A recomendação, portanto, é que o paciente faça repouso e tome bastante água. Para reduzir os sintomas, a pessoa pode:

  1. Tomar medicamentos para febre e dor, como antitérmicos e analgésicos, sob supervisão de um médico. É contraindicado o uso de ibuprofeno, pois ele potencializa a ação do vírus;
  2. Utilizar umidificador no quarto para melhorar a qualidade do ar.

Não é necessário correr para o hospital por uma simples tosse. É preciso analisar os sintomas. Caso suspeite que contraiu o vírus, visite o hospital.

Por que o dentista deve conhecer a doença e saber instruir o paciente?

Declarado pela OMS, a doença atingiu o nível de pandemia. Por isso, é preciso conter seu avanço. O dentista tem a necessidade de conhecer o coronavírus para que tome os devidos cuidados e também os indique para seus pacientes.

Para entender melhor como isso funciona, o Prof. Dr. José Leonardo Simone explica: “O coronavírus é um vírus como outro qualquer que se dissemina por contato físico ou através de fluidos eliminados pela respiração. Não somente o dentista, mas todos devemos ter conhecimento para prevenir a disseminação”.

Além disso, o professor orienta sobre como deve ser a conduta do profissional caso algum paciente chegue ao consultório com a doença.

“Caso algum paciente apresente os sintomas como dores no corpo, febre, tosse, congestionamento nasal e dificuldade respiratória, deve-se suspender o atendimento enquanto os sintomas persistirem.”

Por outro lado, Simone também alerta a respeito dos cuidados que devem ser tomados e sobre como o dentista deve orientar os pacientes.

“Evitar contato físico, manter uma distância de um metro das pessoas, evitar locais fechados com muitas pessoas, lavar bem as mãos com água e sabão e esfregar com álcool gel após ter lavado as mãos”, conclui.

A doença não ocasiona danos à saúde bucal e, até o momento, não existe uma maneira de chegar ao diagnóstico através de exames intraorais.

Medidas publicadas pelo CFO para prevenção do vírus

No dia 16 de março, o CFO anunciou medidas que visam conter a transmissão do coronavírus e preservar a saúde dos profissionais da odontologia.

É possível separar o comunicado em três pontos:

  • No consultório;
  • Durante o atendimento;
  • Precauções padrão.

Reforçamos que, caso o paciente apresente os sintomas da doença, o tratamento odontológico só pode ser feito em situações emergenciais.

Todos os outros quadros devem ser adiados em pelo menos 14 dias.

Nas ocorrências em que for decidido a realização do tratamento, os profissionais precisam fazer uma avaliação prévia para decidir quais medidas de prevenção serão adotadas.

O Conselho Federal de Odontologia também solicitou ao ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, que as atividades odontológicas da rede pública sejam suspensas, se não houver urgência.

No consultório

Aqui, entra a preocupação em evitar aglomerações ou locais fechados com muitas pessoas. A indicação é justamente para que o dentista tenha cuidado para não agrupar pessoas na sala de espera, mantendo um perímetro de um metro de distância entre os pacientes.

Se o paciente ou acompanhante estiver com tosse ou outro sintoma, é preciso que ele utilize uma máscara cirúrgica.

Por outro lado, se o dentista notar esses sintomas previamente, no momento de marcar a consulta, por exemplo, ele deve instruir o paciente a procurar assistência médica.

Durante o atendimento

Durante as consultas, é necessário realizar uma anamnese detalhada de todos os pacientes, fazendo as seguintes perguntas:

  1. Você sentiu febre?
  2. Possui algum início de problemas respiratórios, como tosse ou dificuldade em respirar?
  3. Viajou para algum local que possui foco de transmissão da doença?
  4. Teve contato com alguma pessoa contaminada?
  5. Teve contato com pessoas que vieram de locais que apresentavam grandes números de casos?
  6. Participou de eventos ou de reuniões?

Para todos estes casos, é válido pontuar que a Organização Mundial da Saúde indica um período de 14 dias de quarentena, para manter o paciente sob supervisão.

Como fazer a análise das respostas?

O próximo passo, independentemente de quais foram as respostas, é medir a temperatura do paciente.

Se ele estiver febril e suas respostas confirmaram uma suspeita, o dentista pode adiar o tratamento por duas semanas, recomendando a quarentena e a assistência médica.

Do contrário, o tratamento odontológico pode ser feito normalmente.

Precauções padrão

As precauções padrão entram em jogo mesmo que o paciente não apresente quaisquer sintomas. São elas:

  1. Higiene das mãos;
  2. Uso dos EPIs;
  3. Etiqueta de tosse e higiene respiratória;
  4. Segurança no manuseio de perfurocortantes;
  5. Esterilização dos instrumentos e dos dispositivos;
  6. Limpeza e desinfecção do consultório.

Explicaremos cada um desses pontos individualmente.

Higiene das mãos

As mãos devem ser lavadas com frequência e de maneira rigorosa com água e sabão ou higienizadas com álcool gel 70%. A prática deve ser feita antes e depois da colocação das luvas de segurança.

Para finalizar, o aconselhado é secar as mãos fazendo o uso de um papel toalha que deve ser descartado corretamente após a utilização.

Uso de equipamentos de proteção individual

Durante todos os procedimentos, os olhos, o nariz, a boca e as mãos devem ser protegidos com óculos, máscara e luvas. Isso deve ser feito desde o começo, seja na anamnese do paciente ou então durante a realização do exame clínico.

Caso o procedimento acabe gerando aerossóis, o aconselhado pelo CFO é que o profissional faça uso das máscaras N95, PFF2 ou de respiradores reutilizáveis que devem ser desinfetados após o uso, conforme recomendações do fabricante.

De toda forma, as máscaras devem ser trocadas a cada atendimento.

A máscara N95, no entanto, pode ser utilizada apenas por um período de quatro horas.

Além disso, é preciso que os dentistas usem:

  • Gorro descartável;
  • Jaleco.

Óculos de grau não é considerado EPI, já que não protegem a lateral do rosto.

O dentista e seu auxiliar, durante a consulta, não devem usar anéis, pulseiras, relógios, cordões e brincos.

Ao sair do consultório, os profissionais não podem estar utilizando seus equipamentos de proteção.

As máscaras, especificamente, não podem ser tocadas enquanto o dentista estiver atendendo, muito menos colocadas no pescoço.

Por fim, os resíduos e os equipamentos não reutilizáveis exigem descarte em lixo infeccioso.

Agora, quando o paciente se encontra em uma área de isolamento temporário, os equipamentos utilizados pelo profissional serão:

  1. Máscara cirúrgica;
  2. Capote;
  3. Luvas;
  4. Óculos de proteção.
Etiqueta de tosse e higiene respiratória

Quando for tossir ou espirrar, o aconselhado é cobrir a boca ou nariz com o cotovelo ou com lenços.

Segurança no manuseio de perfurocortantes

Podem ocorrer infecções causadas por acidentes com instrumentos perfurocortantes ou por contato entre secreções e mãos contaminadas.

Assim, é de importantíssimo que o profissional tome cuidado ao fazer uso destes equipamentos e sempre utilize luvas.

Esterilização dos instrumentos e dispositivos

Ao final de cada atendimento, é necessário que o material seja esterilizado em autoclaves.

Limpeza e desinfecção de superfícies

Todas as superfícies do consultório devem ser desinfectadas com hipoclorito de sódio a 0,1% ou peróxido de hidrogênio a 0,5% e álcool a 70%.

Além disso, é aconselhado utilizar barreiras de proteção nas superfícies que precisam ser trocadas a cada atendimento prestado.

Afinal, este novo vírus pode sobreviver entre 2 a 9 dias em locais que não foram limpados corretamente.

Dentista também pode usar diques de borracha nos procedimentos.

Quando o isolamento não for possível, é preferível o uso de instrumentos manuais para a remoção de cárie e de extratores de cálculo ao invés de aparelhos ultrassônicos.

Isso é necessário para que a geração de aerossóis seja diminuída.

Por outro lado, o profissional deve fornecer bochechos com peróxido de hidrogênio a 1% antes de cada atendimento, tendo em vista que o Covid-19 é vulnerável à oxidação.

Caso não seja possível, pode-se utilizar a iodopovidona a 0,2% para reduzir a carga salivar, pois a clorexidina não parece ser eficaz contra esse vírus.

É interessante colocar álcool gel 70% nas salas de espera e orientar que os pacientes higienizem as mãos e sigam a etiqueta respiratória e de tosse.

É preconizado que o profissional e sua equipe chequem a temperatura ao menos duas vezes ao dia, uma antes do trabalho e outra ao longo do dia.

Se um membro da equipe tiver temperatura maior que 37,3ºC, terá que ser afastado do trabalho por 14 dias.

Agora que você já sabe mais sobre o coronavírus, coloque em prática todas as maneiras de evitar a doença. É fundamental que a população tenha consciência disso para não colocar em crise a saúde pública.

*Entrevista e texto por Bruno Campos

Ramiro Murad Saad Neto

Ramiro Murad Saad Neto

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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