Morsicatio Buccarum causa lesões na mucosa bucal

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Um hábito considerado comum pode trazer complicações sérias à saúde da sua boca

Pelo menos uma vez você já deve ter se pego mordendo a parte interna da bochecha, não é mesmo? De forma mais simples, esse é o significado por trás do termo Morsicatio Buccarum.

Muitos não sabem, mas essa condição cujo nome técnico é Morsicatio buccarum, traz riscos às condições da camada mucosa interna da bochecha. Assim, pode causar então sérias feridas na boca e lesões.

Morsicatio buccarum é o termo científico para mastigação crônica da bochecha. É uma condição caracterizada por irritação crônica ou lesão da mucosa bucal (o revestimento do interior da bochecha dentro da boca) causada por mordidas esporádicas ou mordidas repetitivas.

Quais os principais sinais de Morsicatio buccarum?

A forma mais comum de verificar e indicar casos de mastigação crônica da bochecha é por meio de análise das lesões que localizam-se na mucosa.

Essas, geralmente, são bilaterais. Mais especificamente na parte central da mucosa bucal e ao longo do plano oclusal, nível no qual os dentes superiores e inferiores se encontram.

Dessa forma, é comum que muitas vezes, a língua ou a mucosa labial, revestimento interno dos lábios, sejam afetados por uma lesão também produzida da mesma forma, chamada morsicatio linguarum e morsicatio labiorum, respectivamente.

Pode haver uma linha alba coexistente, que corresponde ao plano oclusal ou à língua crenada. As lesões que aparecem possuem algumas características marcantes:

  • São brancas e bem espessas;
  • Têm aparência de que sofreram um tipo de trituração da mucosa comumente;
  • Apresentam áreas com eritema (vermelhidão),  ou ulceração;
  • A superfície é irregular e as pessoas podem ocasionalmente ter seções soltas de mucosa que desaparecem.

Assim, é importante que o próprio paciente fique atento se começar a realizar o ato de mastigar o interno da bochecha sem controle e procure um médico  ou dentista aos menores sinais.

Quais as causas de Morsicatio Buccarum?

A principal causa desse quadro é a atividade parafuncional crônica do sistema mastigatório. Ela produz danos por atrito, esmagamento e incisão na superfície da mucosa.

Ao longo do tempo, com essas condições, as lesões se desenvolvem e vão agravando.

O curioso é que a maioria das pessoas está ciente do hábito de mastigação da bochecha, por mais que possa ser realizada inconscientemente.

Outro detalhe envolve os dentes protéticos mal construídos. Esses podem ser a causa se a mordida original for alterada.

Normalmente, os dentes são colocados fora da zona neutra – o termo para a área onde a arcada dentária está normalmente situada.

Dessa forma, por ser o local onde as forças laterais entre a língua e a musculatura da bochecha estão equilibradas, acaba trazendo algumas complicações.

Danos iguais ou mais graves podem ser causados ​​por automutilação em pessoas com transtornos psiquiátricos, que apresentem dificuldades de aprendizagem ou síndromes raras.

Como por exemplo a síndrome de Lesch-Nyhan e disautonomia familiar.

O diganóstico de Morsicatio buccarum

A apresentação clínica da patologia em pessoas que costumam mordiscar as mucosas da boca normalmente é suficiente para um diagnóstico definitivo.

Nesses casos, a biópsia raramente é realizada por clínicos familiarizados com estas alterações.

Porém, há situações que não podem ser completamente diagnosticados apenas pela apresentação clínica. Então, a biópsia pode ser necessária.

Em pacientes de alto risco para a infecção pelo HIV, com envolvimento isolado da borda lateral da língua, uma investigação mais profunda é necessária. Excluindo assim a leucoplasia pilosa associada ao HIV.

Durante o diagnóstico, a aparência histológica é de hiperparaceratose acentuada, produzindo uma superfície irregular com muitas projeções de queratina. Normalmente, há colonização superficial de bactérias.

É importante frisar que há uma semelhança entre essa aparência e a leucoplasia pilosa, a linha alba e o leucodema.

Em pessoas com o vírus da imunodeficiência humana, que apresentam maior risco de leucoplasia pilosa oral, uma biópsia do tecido pode ser necessária.

O objetivo é diferenciar essa e a ceratose friccional da mastigação da bochecha e língua.

Tratamento para Morsicatio Buccarum

De certa forma, não é necessário um tratamento das lesões orais. Pois nenhuma complicação origina-se pela presença das alterações da mucosa.

No caso de pacientes que desejarem passar por um processo de tratamento, uma proteção acrílica que cobre as superfícies vestibulares dos dentes é confeccionada, a fim de eliminar as lesões.

Isso ocorre pois, ao restringir o acesso à mucosa jugal e labial, as feridas são amenizadas. Ou seja, se desenvolvem com mais dificuldade e menos frequência.

Em muitos casos, é comum ouvirmos que essa mastigação excessiva é algo do emocional. Podendo ser uma ansiedade ou até mesmo um pico de estresse.

Dessa forma, a psicoterapia como o tratamento acaba se tornando mais do que apenas uma opção. Porém, nenhum estudo extenso e controlado mostrou benefícios desse tipo de terapia.

Classificação do Morsicatio Buccarum

O Morsicatio buccarum é um tipo de ceratose friccional. O termo é derivado das palavras latinas: morusus, que significa mordida; e bucca, que significa bochecha.

De acordo com o que diz no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – Quinta Edição, morder a bochecha pode ser uma manifestação de transtorno de comportamento repetitivo focado no corpo.

Morsicatio Buccarum e a Bichectomia

A bichectomia é um procedimento que vem sendo cada vez mais procurado na área da estética. Muitas mulheres buscam profissionais da dentística que realizem a cirurgia.

Porém, além de oferecer uma aparência mais acentuada e uma face mais harmônica, o processo ajuda muito em pessoas que sofrem com essa mastigação da bochecha.

De forma mais técnica, bichectomia é o procedimento cirúrgico que visa a remoção da bola de Bichat.

Possui também finalidade funcional em pacientes que costumam morder a bochecha, salientando as maçãs do rosto e afinando a face.

Envolve a retirada das gorduras, removendo assim o trauma crônico de mordedura das bochechas.

Fazendo com que a parte inferior ou baixa do rosto fique mais fina, delicada e retangular. Deixando um rosto mais harmônico e atraente.

Para finalizar este artigo, preparamos algumas dicas pontuais para você:

  1. Procure inicialmente um cirurgião-dentista. Peça a ele uma avaliação para constatar o problema e indicar o uso de placas ou aparelhos para minimizar os prejuízos causados;
  2. Escovar os dentes várias vezes ao dia e ter sempre à mão um hidratante labial, por exemplo, dá uma maior sensação de conforto e desvia o foco de morder a boca;
  3. Se perceber que é algo emocional, procure entender o que está causando estresse ou ansiedade. Se ocupe buscando soluções para estas situações;
  4. Não tenha vergonha de procurar ajuda de um profissional. Tratar a causa é um passo importante!

Com todo esse conteúdo, ficará mais fácil de lidar com o Morsicatio buccarum. Porém, procure sempre ajuda de um profissional para te orientar.

Valdir de Oliveira

Valdir de Oliveira

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela Universidade de Santo Amaro (UNISA). Pós-graduado em Ortodontia e Ortopedia dos Maxilares pela Sboom. Com especialização e mestrado em Implantodontia, habilitação em Harmonização Orofacial e Anatomia da Face. Professor nas áreas de Cirurgia Bucomaxilo Facial e Harmonização Orofacial. Voluntário há mais de 20 anos na Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais - ADRA Brasil.

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