Maus-tratos são identificados por profissionais da Odontologia

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Confira aqui a importância da área da odontologia na identificação de maus-tratos

Lidar com casos de maus-tratos é uma realidade cruel. As crianças e adolescentes muitas vezes não têm a quem recorrer, justamente porque são vítimas de seus responsáveis ou guardiões legais. Por isso, os profissionais da saúde devem saber identificar e cuidar desses casos.

Os dentistas, por exemplo, são profissionais que devem saber avaliar casos de maus-tratos. Isso porque muitas agressões são registradas na região da cabeça, pescoço, face e boca.

Os maus-tratos são violências psicológicas ou físicas sofridas por indivíduos que estão sob os cuidados de outros.

Se você pretende entender mais sobre o tema, então fique ligado neste artigo. Vamos mostrar sobre a atuação do cirurgião-dentista em casos de maus-tratos.

Como Notar Casos de Maus-Tratos?

Como já vimos, muitas agressões são registradas na área da cabeça, pescoço, face e boca. Dessa forma, cabe ao profissional da odontologia fazer um reconhecimento e identificação de maus-tratos.

Mas como é possível notar a violência? Bom, o profissional pode perceber:

  • Lacerações de freios labial e lingual;
  • Hematomas no palato mole e duro;
  • Queimaduras na gengiva e na língua;
  • Lábios machucados no canto da boca. Eles podem apresentar hematomas, equimoses e cicatrizes;
  • Dentes comprometidos: que estão fraturados, avulsionados (dente deslocado de sua cavidade) e com alteração de cor;
  • Dentes infeccionados;
  • Eritema no palato mole e duro;
  • Petéquias: pontos vermelhos que são causados por hemorragia dos vasos sanguíneos; e
  • Lesões bucais causadas por DST.

Higiene Bucal

Além dos ferimentos e lesões na cavidade bucal, na cabeça, face e pescoço, o profissional pode suspeitar de uma violência doméstica a partir a higiene oral da criança e do adolescente.

Isso porque a negligência com a saúde bucal pode ser indicativo de que a criança ou adolescente estão sendo restringidos de cuidados higiênicos básicos.

Além disso, pode indicar que o jovem não está recebendo atendimento odontológico. Com isso, a criança e o adolescente pode apresentar alterações bucais.

  • Cárie: forma de deterioração que causa uma lesão estrutural no dente. Ela perfura o esmalte do dente e, como sintoma, manifesta as placas duras e com coloração escura. Caso não seja tratada, a cárie pode evoluir para um abcesso.
    Os principais sintomas são: dor no dente, sensibilidade no dente na hora de comer ou beber, dor ao morder, dentes com colorações mais escuras e aparentes pequenos buracos nos dentes.
  • Placa Bacteriana: é uma película grudenta e incolor formada por bactérias. Desse modo, os pacientes manifestam uma sensação de dente sujo e mudança na cor dos dentes.
  • Tártaro: é uma forma endurecida de uma placa bacteriana que fica acumulada nos dentes.
    Os principais sintomas são: dentes com coloração amarelada e até amarronzada. Em quadros clínicos mais extremos o tártaro causa dor, inchaço e sangramento.
  • Doenças periodontais: têm três estágios- gengivite, periodontite e periodontite avançada- que representam alterações negativas na gengiva e nos ossos periodontais.
    Os sintomas são: gengiva inchada e sangrando, sensibilidade na gengiva e nos dentes e gengiva retraída.
  • Traumas dentários: é toda e qualquer batida que causa lesões na boca. Eles podem abranger os dentes, os ossos de sustentação, a gengiva e todos os tecidos moles.
    Os tipos de ferimentos são divididos em 6: fratura no esmalte, fratura entre a coroa e a raiz, concussão, subluxação, luxação e avulsão.

Com a presença dessas alterações, o profissional da odontologia deve ter um cuidado a mais e ficar atento para qualquer sinal de violência contra a criança e o adolescente.

Alimentação

A partir do estado da saúde bucal, o profissional consegue entender como anda a alimentação da criança. Afinal,  alguns alimentos são essenciais para a manutenção dos elementos dentários.

Alimentos com cálcio, por exemplo, são essenciais na formação e no desenvolvimento dos dentes decíduos, também chamados de dentes de leite, e dentes permanentes.

O cálcio é um dos elementos que constituem o esmalte dentário e que também ajuda na proteção e coloração branca do dente

Além disso, o elemento auxilia na elevação do pH bucal. Muitos outros minerais e vitaminas são fundamentais para a manutenção da saúde bucal.

Por isso, o cirurgião-dentista pode ter suspeitas de maus-tratos na infância quando a criança apresenta falhas nessas formações.

Atuação do Cirurgião-Dentista

É dever do cirurgião-dentista documentar por meio de radiografias, fotos e anamneses, as lesões recorrentes dos maus-tratos contra criança.

Além disso, muitos profissionais da área ficam com dúvidas como devem atuar em casos assim. Portanto, vamos conhecer mais sobre as possíveis formas de denúncias.

Como atuar?

O primeiro passo é saber que o profissional tem a obrigação legal de denunciar a suspeita de maus-tratos infantis para o Conselho Tutelar. Ele é o órgão responsável pelos cuidados dos direitos da criança e do adolescente.

Curiosidade: o Conselho Tutelar é regido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, também conhecido como ECA.

Além desse órgão, o profissional da odontologia pode notificar o caso por meio do Disque Denúncia Nacional.

Ele é um canal de serviço operacional que recebe denúncias sobre crimes. Desse modo, para fazer a denúncia, o profissional precisa discar o número 100.

Ainda, o cirurgião-dentista também pode entrar em contato com a Autoridade Policial. E, por último, o dentista pode recorrer ao Ministério Público.

É fundamental que o profissional procure por algum desses canais para denunciar o caso de violência contra a criança ou o adolescente.

Isso porque a denúncia pode ser a única forma de garantir e preservar a saúde do jovem.

Importante: o profissional tem o sigilo garantido. Dessa forma, a sua identidade fica anônima. Além disso, não é preciso apresentar provas, já que o próprio órgão onde é feita a denúncia começará uma investigação.

Importância do Preparo Profissional

É preciso saber que muitos dos maus-tratos infantis são cometidos com crianças que ainda não falam. Por isso, o cirurgião-dentista deve estar preparado para atender e se comunicar adequadamente com os pequenos.

Além disso, mesmo quando já estão na fase de falar, muitas crianças não conseguem expor que estão sofrendo algum tipo de violência, por medo ou até por falta de informações.

Por isso, ressaltamos a importância dos cirurgiões-dentistas estarem prontos para lidar com casos de maus-tratos. Dessa forma, a segurança da criança e do adolescente são garantidos.

Silmara Alves Rozo Ducatti

Silmara Alves Rozo Ducatti

Cirurgiã-dentista graduada pela Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) e especialista em Ortodontia pelo Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul (SIOMS).

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