Entenda como a inclusão social funciona na odontologia

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Apesar da saúde ser um direito de todos, conforme apresentado na própria Constituição Federal, a realidade pode ser muito diferente da teoria. É com o objetivo de promover a saúde bucal que a inclusão social necessita ser cada vez mais disseminada na odontologia.

O acesso à saúde para todos hoje, principalmente em países mais pobres, como o Brasil, é uma realidade ainda distante. As dificuldades podem advir de inúmeras e complexas situações, demandando ainda mais de projetos e ações de inclusão social.

Inclusão social é o conjunto de ações que visam a participação igualitária de todos os indivíduos dentro de uma sociedade, garantindo a todos os mesmos benefícios e direitos.

Apesar do Sistema Único de Saúde – sistema de saúde gratuito do país –  promover um grande passo na política de inclusão social de forma geral, a saúde no Brasil ainda segue sendo um problema latente.

Esse problema acontece especialmente no âmbito odontológico, no qual a situação epidemiológica ainda é considerada grave devido à falta de investimento na área e às condições socioeconômicas da população como um todo.

Quem são os excluídos socialmente?

Partindo do pressuposto de que no Brasil a saúde é um direito de todos os indivíduos da sociedade, não deveriam haver pessoas desfavorecidas.

Entretanto, devido à falta de informação, à situação socioeconômica, à falta de acessibilidade, a desajustes sociais, à inadequação do sistema de saúde e a inúmeros outros fatores da realidade do país, figura-se a necessidade das políticas de inclusão social na área da saúde bucal e em outras áreas da saúde.

Dentro desse contexto, alguns grupos em especial carecem do atendimento odontológico:

  • Crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, isto é, que sofreram abandono ou afastamento do convívio familiar;
  • Habitantes de regiões remotas e de difícil acesso, como os índios;
  • Indivíduos em situação de rua;
  • Pessoas em situação de pobreza extrema, afetadas pela desinformação e pela dificuldade do acesso à saúde;
  • Indivíduos em situação de doença ou deficiência física e mental;
  • População idosa, afetada pela desinformação ou situação socioeconômica;
  • Indivíduos de baixo acesso à informação no geral;
  • População minoritária que sofre exclusão étnica, de gênero ou sexual;

Qual o papel do dentista?

Apesar da situação de saúde bucal ser alarmante, existem políticas públicas e programas voltados para a odontologia social no país que colaboram com a inclusão social no âmbito odontológico.

Por exemplo, com o objetivo de ampliar o atendimento e promover melhores condições de saúde bucal à população, o governo federal criou em 2004 uma política de nome “Brasil Sorridente”, oferecendo tratamento odontológico gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Essa política se destina a qualquer brasileiro que dependa da rede pública de saúde para receber tratamento odontológico. Por meio dela, foram implantados inúmeros Centros de Especialidade Odontologia (CEO) pelo país, a fim de executar esses serviços de atendimento à população.

Além disso, outra ação de inclusão social realizada pelo país são os planos desenvolvidos pelas universidades federais e estaduais que contam com programas de atendimento à população carente em sua grade curricular odontológica.

Fora isso, podemos encontrar diversas ONGs que colaboram com a causa dos menos favorecidos, contando com ajuda de dentistas voluntários para atender esses grupos da sociedade.

Contudo, a maioria da população brasileira ainda carece do tratamento odontológico igualitário, trazendo ao profissional da odontologia a missão de colaborar com ações e programas de inclusão social.

Você sabe qual é o seu papel na luta contra a desigualdade social no âmbito da saúde oral?

Primeiramente, a melhor ação de inclusão é a empatia. Pensar no paciente como um indivíduo e não como um mero cliente promove a sensibilização do profissional pela causa carente.

Além disso, algumas ações também podem auxiliar o dentista na promoção da saúde bucal, veja a seguir algumas atitudes afirmativas para colaborar:

  • Campanhas/palestras de incentivo à saúde bucal em escolas, asilos, abrigos e instituições carentes;
  • Oferecer opções de tratamentos de valor acessível à população carente;
  • Envolvimento em projeto social de cunho odontológico;
  • Voluntariado no terceiro setor;
  • Voluntariado independente;
  • Ações de prevenção coletiva por meio da odontologia social.

Acessibilidade no consultório odontológico

Se nenhuma das ações citadas forem viáveis para o dentista, ainda é possível colaborar na inclusão social para pacientes com deficiência, especialmente física. Para isso, é importante proporcionar um ambiente acessível a esse grupo.

Dessa maneira, a forma mais empática de demonstrar a preocupação com a inclusão social é fazer do seu consultório um local acessível para os pacientes com deficiências, proporcionando segurança e garantindo a integridade física desses indivíduos.

Adaptações no consultório odontológico

As adaptações do consultório odontológico devem seguir as regras impostas pela Associação Brasileira de Normas e Regras (ABNT). No entanto, em síntese, um consultório acessível deve ter:

  1. Adesivos com o Símbolo Internacional de Acesso, a fim de informar a acessibilidade do consultório;
  2. Rampas de acesso na entrada do consultório, caso possua um nível mais alto que o da rua;
  3. Portas largas e altas, correspondendo ao mínimos de 0,8m de largura;
  4. Maçanetas em formato alavanca ou portas automáticas;
  5. Piso antiderrapante nas rampas de entrada e em outros lugares estratégicos;
  6. Corrimão nas rampas e em outros lugares estratégicos;
  7. Pisos táteis para deficientes visuais;
  8. Corredor largos, correspondendo ao mínimo de 1,5m de largura;
  9. Indicação em Braille em pontos estratégicos do consultório, como elevadores e corrimão;
  10. Vaga de estacionamento preferencial próxima a entrada;
  11. Banheiros adaptados, com largura ideal, tranca externa e outros requisitos;

Com isso, o profissional tornará o consultório odontológico um ambiente confortável às pessoas com deficiências físicas, colaborando inclusive para um tratamento mais eficaz.

Para abranger ainda melhor esse público, o dentista pode optar por um auxiliar e ainda por um interprete de libras, a fim de proporcionar um ótimo atendimento também ao paciente surdo.

Importância da inclusão social

Com apenas algumas atitudes, o profissional da odontologia é capaz de contribuir para a promoção da saúde bucal em públicos que carecem dela, trazendo um significado muito mais real para sua profissão, além de substancializar a promessa do direito de saúde para todos.

Afinal, a inclusão social é fundamental para a manutenção da democratização da odontologia. Contribuir em sua prática é prezar para a valorização do ser humano para além da satisfação de ajudar o próximo.

Ramiro Murad Saad Neto

Ramiro Murad Saad Neto

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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