Veja como o enfisema subcutâneo afeta a cavidade bucal

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Apesar de ser relativamente raro, as condições que levam ao enfisema subcutâneo podem ser graves.

O enfisema subcutâneo afeta, mais comumente, regiões da pele como pescoço, face e tórax. No entanto, há possibilidades dessa condição ocorrer também na cavidade bucal.

O enfisema subcutâneo é provocado pela penetração de oxigênio ou de outros gases sob os tecidos da pele ou mucosas, causando sua distensão, ou seja, aumentando o volume súbito no local afetado.

Causas e sintomas do enfisema subcutâneo

O enfisema subcutâneo pode ser causado por perfurações, por infecções, por doenças e até mesmo por procedimentos médicos:

  • Perfuração por esfaqueamento;
  • Perfuração por tiro;
  • Pneumotórax;
  • Trauma facial;
  • Gangrena gagosa;
  • Vômitos pós-operatórios;
  • Espirros fortes;
  • Extrações dentárias;
  • Endoscopias;
  • Ar da seringa tríplice.

Os sintomas podem depender da causa do enfisema, mas todas apresentam volume abundante da área. As bolhas de ar do enfisema são indolores e podem até estourar se tateadas com pressão. Os tecidos próximos ao enfisema normalmente ficam inchados.

Um importante sinal do enfisema subcutâneo inclui a crepitação à palpação, pois diferencia-o do edema inflamatório.

Se o enfisema subcutâneo estiver localizado no pescoço e em condições de inchaço, pode ocorrer complicações como a dificuldades na respiração.

São sintomas possíveis:

No pescoço

  • Dor no pescoço;
  • Dor de garganta;
  • Dificuldade para engolir;
  • Inchaço;
  • Alteração no som da voz.

No tórax

  • Dor torácica;
  • Chiado.

Na face

  • Inchaço generalizado.

Enfisema subcutâneo na odontologia

Como dito anteriormente, é possível que o enfisema subcutâneo ocorra também na cavidade bucal. O enfisema em decorrência de procedimentos odontológicos acontece mais durante a extração de terceiros molares.

Terceiros molares

Os terceiros molares, popularmente conhecidos como dentes sisos, são os últimos dentes a se formarem dentro da nossa boca.

No total, os dentes sisos somam quatro, dois superiores e dois inferiores. Eles estão localizados no fim da arcada dentária, logo atrás dos outros dentes da boca, tanto no lado direto como no lado esquerdo.

A formação da arcada dentária completa se dá entre os 15 e os 25 anos. Até esse momento, deduz-se que os dentes do siso nasçam.

Todavia, terceiros molares não possuem um momento correto para sua erupção (ou nascimento), essa questão varia de pessoa para pessoa.

Nesse hiato, os dentes sisos podem não encontrar espaço para a erupção ou até mesmo ficarem presos ou encaixados no osso; alguns ainda podem apenas não sair.

Em casos como esses, pode ocorrer a mobilidade dos outros dentes, alterando suas disposições dentro da boca e acarretando em cárie localizada, por exemplo.

Os terceiros molares também podem ter um crescimento parcial, o que ocasiona um quadro infeccioso ao paciente. Tal quadro, conhecido como pericoronarite, pode levar a:

  • Dor intensa;
  • Inchaço na face;
  • Inchaço gengival;
  • Irritação local;
  • Odores;
  • Sangramento;
  • Enxaqueca;
  • Dores faciais;
  • Dores nos maxilares;
  • Dor de ouvido.

Extração dos dentes sisos

A extração do dentes sisos é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns dentro da odontologia.

Ela serve para prevenir potenciais problemas, como impacção alimentar, cáries localizadas, periocoronite, falta de higienização correta, etc.

Também é recomendada em casos de não haver espeço suficiente para erupção desses novos dentes.

Do mesmo modo, quando o paciente faz utilização do aparelho ortodôntico, a extração pode ser indicada, pois assim obtém-se espaço para possíveis movimentações dos dentes na arcada.

A cirurgia de extração do siso, quando necessária, deve ser realizada o mais cedo possível, pois a recuperação do paciente é mais rápida e tranquila quando ele ainda é jovem.

Isso porque, com o passar dos anos, a raiz do dente começa a se calcificar, dificultando a remoção. Quando isso ocorre, as chances de haver complicações e danos nos nervos da área é maior.

É indicado que o paciente remova o siso antes dos 30 anos de idade.

Enfisema subcutâneo durante a remoção de terceiros molares

O enfisema subcutâneo na odontologia é considerado raro. Porém, quando acontece, geralmente está relacionado a procedimentos cirúrgicos, mais especificamente à extração dos terceiros molares.

Como já mencionado, o enfisema é um acidente que se dá pela passagem de ar no interior da mucosa, promovendo o volume da região afetada.

Na cirurgia de extração do terceiro molar, especialmente dos inferiores, o enfisema costuma ser causado pelo uso de turbinas de alta rotação.

Isso ocorre, geralmente, por conta da falta de precisão no descolamento do periósteo – membrana que envolve o osso -, facilitando a entrada de ar.

Diagnóstico do enfisema subcutâneo

O diagnóstico breve é importante para evitar complicações durante o quadro.

O enfisema produz nódulos móveis que produzem ruídos crepitantes em reação à palpação – sinal capaz de diferenciar o enfisema subcutâneo do enfisema inflamatório.

Nas radiografias, o enfisema que atinge o tórax, por exemplo, é mais difícil de ser diagnosticado, já que, apesar dele se apresentar em forma de estrias radioluzentes nas regiões musculares, o ar pode atrapalhar a identificação de condições mais graves como o pneumotórax.

Contudo, de forma geral, podem ser utilizados para o diagnóstico do enfisema as radiografias, as ultrassonografias e as tomografias.

Complicações do enfisema

Em suma, o enfisema subcutâneo não é considerado grave, mas essa condição pode ter algumas complicações, principalmente quando não há um rápido diagnóstico.

Se o volume de ar for grande, pode haver complicações para a respiração devido ao inchaço, por exemplo.

A pressão de ar pode impedir a circulação sanguínea de chegar à mama ou aos lábios, resultando na necrose das regiões afetadas. Casos mais graves podem ainda comprimir a traqueia.

Quando o paciente apresenta quadros como esses, medidas de emergência podem ser tomadas pelos especialistas médicos e odontologistas, como a inserção de cateteres para a liberação do ar.

Tratamento do enfisema subcutâneo

Em episódios mais brandos da condição o próprio enfisema subcutâneo não necessita de um tratamento específico, ele é a penas sintomático, ou seja, trata somente os sintomas.

Isso porque o enfisema subcutâneo tende a ter uma remissão espontânea.

Ramiro Murad Saad Neto

Ramiro Murad Saad Neto

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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