Qual a relação do tétano com a Odontologia? Descubra!

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O tétano é uma doença grave, mas que pode ser prevenida por meio da vacinação

Com certeza você já deve ter ouvido falar do tétano. Essa doença já foi uma das mais mortais do Brasil e deixou cerca de 973 mortos entre os anos de 2007 e 2016, segundo dados do Ministério da Saúde de 2018.

A prevenção contra o tétano é feita por meio da vacinação, que é aplicada em três doses durante a infância. O tétano também está relacionado à odontologia. Quer saber como? É só continuar por aqui.

O tétano é uma grave doença infecciosa, que afeta o sistema neurológico, causada pela bactéria Clostridium Tetani ou bacilo tetânico. Essa bactéria é frequentemente encontrada na forma de esporos, no solo, na poeira, na terra, nas plantas, nas fezes e em objetos.

O tétano também pode contaminar indivíduos que apresentam feridas na pele, fissuras pelas quais a bactéria transmissora entra em contato e libera microrganismos que se espalham pela corrente sanguínea.

Transmissão do Tétano

O tétano não é uma doença contagiosa. Ou seja, não é transmitida de um indivíduo para o outro.

Ao contrário do que muitas pessoa acreditam, essa doença não é transmitida por meio da ferrugem, ainda que objetos enferrujados sejam transmissores em potencial.

Essa relação surgiu porque objetos enferrujados oferecem ótimas condições para bactéria.

Afinal, para chegarem ao enferrujamento, geralmente ficam por um grande período de tempo expostos e no chão, local onde a bactéria é encontrada com facilidade.

Porém, como já dito anteriormente, a contaminação ocorre através de ferimentos onde a bactéria entra em contato e esse microrganismo pode ser encontrado em diversos locais – não apenas em objetos enferrujados.

O contágio do tétano ocorre em pessoas não imunes e pode acometer um indivíduo de duas maneiras:

  • Tétano Acidental: ocorre de forma realmente acidental, por meio da contaminação de feridas, queimaduras ou tecidos necrosados.
  • Tétano Neonatal:  ocorre quando há contaminação do cordão umbilical pelos esporos da bactéria. Isso pode acontecer durante o corte do cordão com utensílios não esterilizados, ou pelo uso de substância e materiais contaminados no curativo do coto umbilical.

Como a Doença Age no Organismo?

Após a contaminação, com os microrganismos já difundidos na corrente sanguínea, as bactérias liberam um veneno denominado “tetanospasmina”.

A toxina liberada no sangue atua nas células motoras do sistema nervoso central. Assim, ela age  bloqueando os sinais neurológicos da coluna vertebral para os músculos.

No entanto, o tétano tem um período de incubação antes das primeiras manifestações.

Em média, para o tétano acidental, esse período varia de 2 a 21 dias.

Enquanto que no tétano neonatal, há uma média de 7 dias, podendo variar entre 4 a 14 dias.

Quando mais perto da cabeça for o ferimento, mais rápido o bacilo atinge o sistema nervoso central. Desse modo, quanto menor for o período de encubação da doença, maior será a gravidade dela.

Sintomas

São sintomas do tétano:

  • Trismo (dificuldade para abrir a boca)
  • Riso sardônico (desencadeado por espasmos na face)
  • Dificuldade para engolir
  • Rigidez muscular generalizada
  • Dores nas costas e nos membros
  • Febre
  • Hipertensão
  • Sudorese
  • Espasmo corporais
  • Aceleração de batimentos cardíacos
  • Convulsões

Prevenção do Tétano

Por ser uma doença imunoprevenível, a vacina dT (uma vacina dupla, composta pelo toxoide tetânico e pelo diftérico) é capaz de prevenir o contágio do tétano e ainda da difteria.

Nem toda a população foi vacinada ou se lembra de ter recebido a imunização correta contra o tétano. Assim, nesses casos, é necessário a aplicação completa do esquema vacinal.

Em casos em que o individuo adquire ferimentos que esbocem maiores ameaças de contágio, sem que ele esteja imunizado apropriadamente, é necessário que haja aplicação específica da ATT, uma vacina antitetanica isolada.

Porém, de forma geral, o esquema básico de vacinação, ainda na infância, é constituído em:

  • 1ª dose – 2 meses de idade
  • 2ª dose – 3 meses de idade
  • 3ª dose – 6 meses de idade
  • 4ª dose – 15 meses de idade
  • 5ª dose – entre 4 e 6 anos de idade
  • 6ª dose – 10 anos após a última dose

Além da imunização adequada, a higienização imediata dos ferimentos, especialmente quando há corpos estranhos (como terra, poeira etc), é essencial na prevenção do tétano.

Como o Tétano Está Relacionado à Odontologia?

É exatamente por meio de um dos sintomas do tétano que ele se relaciona com a odontologia: o trismo.

O trismo caracteriza-se pela dificuldade de abrir a boca originada pela contração da mandíbula. Ou seja, trata-se da impossibilidade temporária ou permanente da abertura da boca.

Esse pode ser um dos primeiros sintomas da contração do tétano.

O nível de gravidade do trismo pode definir o quanto o indivíduo acometido é capaz de abrir a boca. Ou seja, é possível abrir mais ou menos a boca, dependendo de cada situação. Porém, sempre acompanhado da dor.

Suas causas podem ser diversas, já que o trismo pode significar apenas um sintoma de algo maior que acomete o indivíduo, como é o caso do tétano.

Pode também decorrer de efeitos colaterais de medicamentos, paralisia facial e radiação de tratamentos do câncer.

O trismo, ainda, pode afetar a fala, a higiene bucal, a alimentação, impedir o acesso ao interior da boca e até a aparência. Essa condição ainda, em uma de suas possíveis complicações, pode provocar o risco de aspiração.

Podemos definir o trismo como extra-articular e intra-articular.

Extra-articular

Está relacionado à fatores fora da articulação temporomandibular (ATM).

Entre as causas do trismo extra-articular estão:

  • Tétano
  • Fraturas nos ossos faciais
  • Radiação
  • Parotidite aguda
  • Hematomas
  • Infecções de tecidos orais
  • Edemas pós-cirúrgicos
  • Anquilose
  • Malignidade local

Intra-articular

  • Está relacionado à fatores dentro da articulação temporomandibular (ATM).
  • As causas do trismo intra-articular incluem:
  • Luxação da articulação temporomandibular
  • Desarranjo da articulação temporomandibular
  • Artrite inflamatória séptica
  • Fratura intracapsular
  • Osteoartrite

Tratando o Trismo

O tratamento do trismo pode consistir na medicação do paciente com analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios etc.

Pode também se dar no acompanhamento com um fisioterapeuta. Afinal, a forma mais comum no tratamento do trismo são os exercícios.

Porém, o tratamento vai depender da causa específica da doença. Em um episódio onde ele é causado pelo tétano, por exemplo, a prioridade de tratamento é justamente o tétano.

Dessa forma, é importante prestar atenção à condição do trismo, pois ela pode ser um sinal decorrente de outra doença mais grave.

E o Tratamento do Tétano?

A possibilidade de cura do tétano existe. Entretanto, a doença tem uma evolução muito rápida, o que dificulta as chances de sucesso.

Medicações podem ser administradas para promover alívio ao paciente. Tais como, antibióticos, sedativos e antitoxinas.

De mesmo modo, o uso de suportes respiratórios também podem ser necessários.

A probabilidade de letalidade do tétano depende de fatores, como:

  • Faixa etária;
  • Tipo de ferimento;
  • Duração do período de encubação;
  • Gravidade da doença, clinicamente falando;
  • Presença de complicações do quadro (respiratórias, renais, infecciosas etc).

Portanto, a maior chance de combate ao tétano é a imunização.

Ramiro Murad Saad Neto

Ramiro Murad Saad Neto

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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