Cisto de retenção indica alteração no seio maxilar

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Em algumas situações, podemos perceber alterações na nossa cavidade bucal. No nosso seio maxilar, uma dessas alterações patológicas é a manifestação do cisto de retenção.

Só de ouvir o nome você pode se assustar. Mas calma! Ele é benigno e, por isso, não traz problemas graves para a sua saúde bucal. E, afinal, o que é cisto de retenção?

Cisto de retenção é uma lesão de ordem inflamatória crônica, mais conhecida como mucocele dos seios maxilares. Ele é resultado do acúmulo de saliva ou de muco no interior do conduto excretor de uma glândula e também no interior dos tecidos circunvizinhos.

Características do cisto de retenção

O cisto de retenção do seio maxilar pode ser chamado ainda de cisto seroso, cisto de muco, pseudocisto, cisto mucoso benigno ou, como já mencionado, mucocele.

Além disso o cisto de retenção ainda pode ser dividido em suas categorias, de acordo com sua formação: secretores e não-secretores. Assim:

  1. Secretores: há obstrução de um ou mais dutos secretores da glândula sero-mucosa devido ao processo inflamatório;
  2. Não-secretores: há o acumulo de muco no tecido sub-epitelial e fora da entidade glandular devido ao processo inflamatório que ocorre na parede do seio maxilar.

É possível descrever o cisto de retenção como sendo de um material eosinófilo, que são células sanguíneas que participam de processos inflamatórios como alergias e asma, e amorfo, que são sem forma determinada e que contém ainda células inflamatórias como os linfócitos.

Também podem ser caracterizados por protuberâncias únicas ou múltiplas, hemisféricas, amarelas ou esbranquiçadas, de tamanho variável.

Esse tipo de cisto do seio pode ainda atingir os dois lados da face, no entanto é mais comum se manifestar em apenas um lado.

Qual são as causas do cisto de retenção?

Para além das características, é necessário saber quais são as causas que levam ao aparecimento do cisto de retenção no assoalho maxilar.

Todavia, as causas da patologia ainda parecem ser incertas, já que diferentes estudos indicam diferentes perspectivas na literatura. Assim, algumas das causas aparentes para o seu aparecimento incluem:

  1. Relação com processos alérgicos como rinites e sinusites, sendo resultado de infecções nas vias respiratórias, já que o seio maxilar liga diretamente no aparelho respiratório;
  2. Ligação com condições de saúde bucal, como traumas e processos infecciosos dentais. Infecções pulpares e periodontais podem penetrar no seio, por exemplo;
  3. Influência das estações do ano, especialmente no fim do inverno, estando associado à temperatura e à umidade.

Sintomas do cisto de retenção

Apesar de ser considerada uma patologia assintomática, ou seja, sem presença de sintomas, alguns casos considerados mais graves podem, sim, apresentar alguns sintomas e estes podem ser muito parecidos com os da sinusite. Veja quais são eles:

  • Fadiga;
  • Vertigem;
  • Dor de cabeça e dor facial persistente;
  • Dor de garganta;
  • Entupimento nasal;
  • Escorrimento nasal;
  • Dor no arco dentário;
  • Sensação de pressão na face.

Vale ressaltar que, se manifestar qualquer um dos sintomas citados, cabe a procura imediata de um profissional para a realização de exames e um consequente diagnóstico médico.

Como tratar esse tipo de cisto?

Por ser assintomático, o cisto de retenção mucoso maxilar é comumente diagnosticado em exames radiográficos de rotina, mais especificamente durante a interpretação das imagens na radiografia panorâmica.

Radiograficamente, esse tipo de cisto pode ser reconhecido pela sua forma hemisférica de “cúpula invertida”, tendo como base o assoalho do seio maxilar.

É possível realizar sua identificação ainda por tomografias computadorizadas, sendo possível detalhar a região sinusal acometida pelo cisto. Além disso, suas características únicas tornam o diagnóstico um pouco mais simples.

Quando o cisto mucoso não possui gravidade aparente, o tratamento indicado é apenas o acompanhamento radiográfico para monitorar sua evolução clínica, pois trata-se de uma lesão benigna que regride de forma espontânea.

No entanto, quando em casos mais graves, é recomendada intervenção cirúrgica para sua remoção.

Caso o paciente possua histórias alérgicas recentes, é indicado acompanhamento médico.

Qual a importância de conhecer o seio maxilar na odontologia?

É de suma importância que o profissional da odontologia esteja ciente e conheça o funcionamento e os processos de outras regiões da face para além da boca, como é o caso do seio maxilar.

Isso porque a estrutura do seio maxilar é adjacente à cavidade da boca, possuindo relação direta com as raízes dos dentes superiores e inferiores. Além disso, há uma relação de proximidade entre os seios maxilares e o processo alveolar da maxila.

Assim, o risco de comunicação entre a cavidade oral e a estrutura do seio maxilar é grande, podendo ocasionar em complicações para a saúde bucal, como nos casos de sinusite maxilar.

O seio maxilar também pode possuir efeitos sobre a arcada, causando reabsorção de raízes dentárias, por exemplo.

Dessa maneira, devido à ação de agentes patológicos, isto é, agentes que produzem doenças infecciosas provenientes do processo alveolar, poderão ocorrer respostas de defesa das cavidades paranasais, sendo necessária a atuação do profissional dentro do Sistema Estomatognático – conjunto de estruturas da boca – exigindo avaliações de imagem dos seios maxilares por parte do dentista.

Além disso, lesões periapicais ou periodontais, cistos ou tumores e fraturas na maxila podem ter contato com o seio maxilar, causando sinais característicos da sinusite, por exemplo.

É possível ainda que haja inflamações do seio maxilar sem que exista origem dental, no entanto ela pode trazer sintomas a um elemento específico durante a mastigação, levando o paciente a procurar um cirurgião dentista.

Com isso, é preciso que o profissional reconheça características radiográficas das alterações dos seios maxilares, conseguindo tratar afecções de origem dental e, caso contrário, indicar outra especialidade médica quando há necessidade de tratamentos multidisciplinares.

Assim, também atestamos a necessidade do conhecimento odontológico sobre as características do cisto de retenção, sendo uma alteração específica do seio maxilar que pode possuir origem dentária.

Ramiro Murad Saad Neto

Ramiro Murad Saad Neto

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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