A cinesiofobia está ligada à odontologia; saiba aqui como ocorre

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Antes de te explicar o que é cinesiofobia, você precisa de algumas informações, como a definição de “fobia”, para começar. A fobia é um medo irracional e persistente de algo (objeto, ser-vivo, atividade, etc).

As fobias específicas podem atingir cerca de 12,4% da população como um todo, segundo dados da entidade norte-americana National Institute of Mental Health (NIMH). Uma dessas fobias específicas, a cinesiofobia, atinge de 50% a 70% de pessoas com casos de dor crônica. Você sabe que fobia é esta?

A cinesiofobia, por definição, é o medo de sentir dor ao realizar movimentos. A pessoa acometida por esta fobia sente-se vulnerável ao mundo externo e teme se ferir, por exemplo.

Deste modo, as causas da cinesiofobia estão relacionadas à memória da dor.  Ou seja, um sentimento negativo que tende a se fortalecer a cada novo episódio. Assim, até mesmo quando um tecido lesionado já se recuperou, por exemplo, a dor persiste ou torna-se crônica.

Em síntese, os pacientes com essa fobia podem a ter adquirido puramente pela experiência da dor ou por saber ou imaginar o que pode acontecer.

Qual é a Relação da cinesiofobia com a Odontologia?

A cinesiofobia e a Odontologia podem, sim, ter uma relação muito próxima.

Esta fobia pode estar diretamente relacionada à Disfunção da Articulação Temporomandibular (DTM), que por sua vez está ligada à Articulação Temporomandibular (ATM), a articulação que liga a mandíbula ao crânio, também responsável pelos seus movimentos.

Os problemas ligados a essa importante articulação, a ATM, como dores fortes de cabeça, dores na movimentação da boca, dores atrás dos olhos e até mesmo mandíbula travada, são classificados como DTM.

Estudos indicam que a DTM crônica é uma condição gerada por vários fatores, inclusive psicológicos. Fatores estes que são determinantes no começo e perduração da disfunção. O medo, portanto, só piora essa condição.

Em 2010, um artigo da professora Corinne Vissher, da Holanda, publicado na revista Pain, apontou que pacientes com DTM crônica relatavam alto índice de medo de movimento.

Neste sentido, pessoas acometidas com a Disfunção da Articulação Temporomandibular podem desencadear o medo de abrir a mandíbula com receio de seu travamento ou da amplificação dessa dor. Então, temos aí a cinesiofobia na odontologia.

Essa Fobia Tem Cura?

O diagnóstico da cinesiofobia é o primeira ação para a busca de um tratamento efetivo.

Estudos indicam que a prática de exercícios ajudam na diminuição da dor, auxiliando no tratamento da fobia num modo geral.

As chances de cura da DTM, por outro lado, variam com sua causa. Na maioria das vezes, não há uma cura, mas um controle da disfunção.

Deste modo, a cinesiofobia relacionada à DTM pode causar um ciclo vicioso negativo, visto que há dor no movimento e dor por imaginá-lo. É importante romper esse ciclo vicioso por meio do ressignificado da dor.

Subgrupos da Cinesiofobia

A Sociedade Brasileira de DTM e Dor Orofacial (SBFOF) publicou, em 2015, uma pesquisa sobre a cinesiofobia nos diferentes subgrupos de DTM.

Esses subgrupos se classificam em:

  1. Miogêncio (muscular)
  2. Astrogêncio (articular)
  3. Misto (miogênico e astrogêncio)

Em suma, os resultados comprovaram que a cinesiofobia pode apresentar padrões diferentes de comportamento a partir do perfil de cada paciente com DTM.

Pacientes do subgrupo misto, por exemplo, apresentaram níveis mais intensos da fobia.

Apesar da escassez de pesquisas mais aprofundadas sobre a cinesiofobia relacionada à DTM, estudos como esse podem ajudar na definição de estratégias de intervenção em cada caso. Afinal, a cinesiofobia é um sério prenunciador de incapacidade em pacientes acometidos de dores crônicas.

Ramiro Murad Saad Neto

Ramiro Murad Saad Neto

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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