Cianose deixa a pele azulada e pode ser sinal de doenças graves

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O corpo humano é uma verdadeira máquina que funciona de forma perfeita. Logo, quando algo não parece bem, ele nos manda sinais para nos avisar. Então, o que o corpo quer nos mostrar quando apresenta coloração azulada na pele, embaixo das unhas ou nas mucosas? Fique por aqui, porque hoje vamos falar da cianose.

A cianose em si não é considerada uma doença, mas sim uma manifestação sintomática que pode ser causada por diversos fatores. Como dito, a principal característica da cianose é o azulamento da pele em regiões específicas. Mas você sabe porque isso ocorre?

Conhecida como “doença azul”, podemos definir a cianose como uma característica da cardiopatia congênita com sintomas de insuficiência circulatória, doença pulmonar ou intoxicação por gases tóxicos, o que leva à coloração azulada na pele e nas mucosas, que nada mais é que a circulação do sangue sem a presença de oxigênio.

Portanto, o que caracteriza essa mudança de cor da pele é justamente a falta de oxigênio na célula sanguínea, já que é por meio da oxigenação do sangue no pulmão que ele recebe uma coloração vermelho vivo. Assim, a falta de oxigênio leva a cianose de extremidades.

No entanto, variados tipos de cianose podem acometer um indivíduo. Conheça quais são esses tipos:

  • Central: a cianose central consiste na chegada do sangue nas artérias já sem oxigênio. é a principal causa de doenças pulmonares;
  • Mista: a cianose mista, por outro lado, não é apenas a chegada do sangue sem oxigênio nas artérias, mas também consiste na incapacidade do coração de promover transporte suficiente do sangue oxigenado. Exemplo desse tipo são embolias pulmonares ou pneumonias graves;
  • Periférica: já a cianose periférica trata-se da diminuição da velocidade com que o sangue circula, não sendo suficiente para a oxigenação completa do corpo.

Como ocorre a falta de oxigênio no sangue?

Em síntese, a coloração azulada nas extremidades do corpo está sempre relacionada com a insuficiência de oxigênio no sangue e, consequentemente, com o acúmulo de gás carbônico.

Para entender como esse processo funciona é necessário conhecer o funcionamento da circulação do sangue dentro do nosso corpo.

Existem duas formas do sangue circular pelo organismo: por meio da arterial e da venosa.

O sangue venoso possui uma coloração mais escura e é rico em gás carbônico. Seu percurso é em direção ao pulmão para, então, passar pelas trocas gasosas.

Quando o sangue venoso chega ao pulmão ocorre essa troca gasosa. A hemoglobina – proteína cuja principal função é o transporte de oxigênio – recebe oxigênio e circula em direção aos tecidos do corpo. Quando rico em oxigênio, o sangue passa a ser chamado de sangue arterial. Este possui uma coloração mais viva e avermelhada.

No entanto, é possível que a troca gasosa realizada no pulmão não seja suficientemente eficaz para “abastecer” o sangue com o oxigênio, causando um déficit de oxigênio e levando ao aparecimento da cianose.

Em um adulto normal, existem em média 12 a 15 gramas de hemoglobina e, se há falta de oxigênio em apenas 5 gramas ou mais de hemoglobina, já há manifestações da cianose na pele e mucosas.

O que pode causar cianose?

A cianose pode possuir causas diversas e atingir o ser humano em qualquer idade, sendo possível até em recém-nascidos.

cianose em recém-nascido exige uma observação apurada dos pais, já que é de muito mais difícil percepção, já que o bebê não é capaz de relata-la ou, muitas vezes, pode se manifestar em lugar pouco visível.  A depender da causa, pode ter manifestação repentinas e fazer o recém-nascido apresentar dificuldades respiratórias.

Quando a cianose é observada de forma localizada, em apenas um local do corpo, tanto em recém-nascidos quanto em adultos, sua causa pode estar relacionada a um coágulo sanguíneo que bloqueia a circulação do sangue naquele membro específico.

Uma das causas também comuns é a exposição a baixas temperaturas e o desenvolvimento do chamado fenômeno de Raynaud. Trata-se de uma resposta exagerada do corpo às temperaturas mais frias, caracterizada pelo estreitamento dos vasos sanguíneos, provocando a redução do fluxo sanguíneo para a pele.

Porém, a cianose pode ter causas mais graves. Conheça-as a seguir.

Doenças cardíacas

A cianose pode estar relacionada tanto a doenças cardíacas congênitas quanto a adquiridas. No geral, a malformação no coração pode impedir que o sangue chegue aos pulmões, dificultando sua oxigenação, ou provocar a mistura do sangue arterial com o venoso, como ocorre quando há sequelas de infarto do miocárdio.

Em resumo, o diagnóstico é realizado quando há presença de sopro no coração e falta de ar.

Esses são alguns problemas cardíacos que podem levar à cianose:

  • Síndrome do Coração Esquerdo Hipoplásico;
  • Transposição de Grandes Artérias;
  • Infarto do miocárdio;
  • Truncos arteriosus;
  • Tetralogia de Fallot;
  • Retorno Pulmonar venoso anômalo total;
  • Insuficiência cardíaca.

Doenças pulmonares

Geralmente, as causas pulmonares da cianose ocorrem pela incapacidade dos pulmões em oxigenar o sangue. Esse fenômeno pode estar ligado a diversas causas de doenças respiratórias e pulmonares. Conheça quais são:

  • Enfisema pulmonar;
  • Embolia pulmonar;
  • Asma;
  • Pneumonia;
  • Doença pulmonar interstical;
  • Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica;
  • Bronquiolite.

Outras causas

Por fim, a cianose também pode ocorrer por outras causas. Confira quais são:

  • Choque hemorrágico ou septico;
  • Obstruções arteriais;
  • Fenômeno de Raunaud;
  • Anemia falciforme;
  • Intoxicação;
  • Overdose de drogas;
  • Afogamento;
  • Tabagismo;
  • Falta de oxigênio no ar;
  • Pouco oxigênio no sangue;
  • Exposição excessiva ao frio.

Quais os sintomas da cianose?

Além da característica coloração azulada da cianose nas extremidades, como em pontas dos dedos ou mucosas, igual acontece com a cianose labial, essa condição pode causar ainda outros sintomas, a depender da causa.

Assim, confira quais são os outro sinais que podem estar relacionados a essa condição:

  • Dores;
  • Tontura;
  • Desmaios;
  • Falta de ar;
  • Dificuldades para respirar;
  • Alta frequência respiratória;
  • Agravamento da dor quando há exposição ao frio;
  • Tosse;
  • Febre;
  • Expectoração escurecida;
  • Irritação;
  • Confusão mental;
  • Sonolência.

Os tratamentos da cianose estão relacionados diretamente com a solução de sua causa. Por exemplo, se a cianose ocorre pela exposição excessiva ao frio, aquecer o corpo fará com que a cianose desapareça.

Dessa forma, o tratamento pode incluir oxigenação dos tecidos por meio de aparelhos, uso de medicamentos e cirurgias, a depender sempre da causa que provoca a cianose.

Portanto, se identificada, a cianose deve ser tratada o quanto antes, já que pode ser sinal de problemas mais graves. Assim, não deixe de consultar um especialista caso possua algum dos sintomas aqui descritos.

Ramiro Murad

Ramiro Murad

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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