Importância da esterilização de instrumentos odontológicos

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Se o processo de esterilização não for realizado, bactérias serão passadas de um paciente para outro

A esterilização é uma prática extremamente importante dentro de clínicas, hospitais e laboratórios. Os consultórios odontológicos também devem contar com seus materiais de higienização e limpeza.

Durante a esterilização, o dentista e seu auxiliar deverão tomar diversos cuidados para que a limpeza seja feita corretamente. Verificaremos adiante qual o passo a passo da técnica!

Esterilização é um processo de desinfeccionar instrumentos clínicos. Esse método pode ser realizado assim que um produto foi adquirido ou depois de ter sido utilizado. Dessa forma, após a realização do processo, estão aptos para serem usados, já que agora, encontram-se livres de bactérias e germes.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) define que “a melhor indicação de esterilização de instrumental cirúrgico é autoclave a vapor, óxido de etileno, formaldeído e peróxido de hidrogênio. O uso de formalina não permite a validação do processo”.

Antigamente, era comum esterilizar através de estufas. Entretanto, com o avanço da tecnologia na odontologia, ela passou a perder espaço por conta da autoclave, que fornece mais efetividade para controlar contaminações.

A principal diferença entre estufa e autoclave é que, a segunda, faz a esterilização usando vapor de água em temperaturas elevadas por um período, matando todos os microrganismos.

As estufas só utilizam calor seco, sem propor pressão e umidade ao objeto.

Se o processo de assepsia não for realizado como deve, algumas bactérias seriam passadas de um paciente para outro. Assim, o simples contato com aparelhos odontológicos contaminados poderia causar doenças graves.

  1. Qual o Objetivo da Esterilização?
  2. Quais São os Métodos de Esterilização?
  3. Sala de Esterilização
  4. Lavagem com Detergente Enzimático
  5. Após Lavagem com Detergente Enzimático
  6. Uso da Autoclave
  7. Qual a Diferença Entre Desinfecção e Esterilização?

Qual o Objetivo da Esterilização?


O principal objetivo desse procedimento é então fazer com que microrganismos sejam inativos e incapazes de se reproduzir e espalhar. Além é claro de fazer parte das regras da biossegurança.

Porém, a ideia é que seja realizada sem causar danos ou até mesmo levar os instrumentos a uma possível destruição por compostos químicos, enzimas, toxinas e certos produtos metabólicos.

Quais São os Métodos de Esterilização?

Quais São os Métodos de Esterilização?

Existem diversos tipos de esterilizações que irão depender fatores como o tipo de artigo, contaminações que podem ocorrer e a diferença em esterilizar artigos odontológicos. Os principais são:

  1. Esterilização por meios físicos:
    Vapor sob pressão saturado
    Calor seco
    Radiação ionizante
    – Radiação não ionizante
  2. Esterilização por meios químicos
    Formaldeído
    Glutaraldeído
    – Óxido de etileno
    – Peróxido de hidrogênio
    Ácido peracético
    – Plasma de peróxido de hidrogênio

Vamos entender melhor e conhecer mais sobre cada um desses dois tipos e seus principais componentes? Então, é só continuar a sua leitura!

Esterilização Por Meios Físicos

É importante entender que as principais características que irão então classificar uma esterilização por meios físicos é baseada nas seguintes opções:

  • Vapor saturado sob pressão
  • Óxido de etileno
  • Calor seco
  • Radiação ionizante
  • Químicos líquidos
  • Filtração
  • Ondas curtas
Esterilização Por Vapor

Esse é considerado um dos métodos mais utilizados para realizar, principalmente, a esterilização dos materiais de uso médico-hospitalar e que sejam de um tipo crítico.

Além disso, outra característica importante é o fato de não envolver nenhum procedimento que seja tóxico, ser de baixo custo e esporicida. Ou seja, um agente capaz de matar os esporos.

É por esses motivos que ele deverá ser utilizado com todos os itens que não sejam nem sensíveis ao calor e muito menos à umidade.

O calor úmido que é a base desse método, acaba sempre destruindo os microrganismos por meio de uma coagulação e da desnaturação considerada irreversível de todas as suas enzimas e proteínas estruturais.

Por fim, esse é um dos procedimentos mais utilizados em casos de esterilização da autoclave.

Óxido de Etileno

Diferente dos métodos de esterilização físicos e químicos que costumam ser mais gerais e utilizados para mais de um tipo de esterilização, esse é que exclusivo na esterilização de equipamentos que não podem ser autoclavados.

Porém, dizer se ele será ou não um procedimento efetivo depende de alguns fatores em específico. Um bom exemplo é a concentração de gás, a temperatura, a umidade e o tempo que tem de exposição.

Esses são os critérios que irão determinar o quão bom e eficaz o método com óxido de etileno será.

A forma como ele age é por meio de uma alcalinização de proteínas, do DNA e do RNA. Porém, ainda assim existem algumas desvantagens para a sua aplicação.

Um dos casos mais comuns e desvantajosos do uso é com relação ao tempo que se é necessário para que o processo seja efetivado.

Além disso, outras questões como o custo da operação e os possíveis riscos que tanto o paciente quanto o profissional se encontram, também devem ser levados em consideração caso esse seja o método escolhido.

Mais do que alguns dos problemas que já citamos, em certos casos, ele costuma apresentar também um potencial carcinogênico e mutagênico.

Dessa forma, é muito comum que cause alterações no sistema reprodutor e no nervoso, provocando ainda uma sensibilidade nos profissionais que estão envolvidos no processo.

Por isso, é fundamente que, caso essa opção de esterilização seja a escolhida, é imprescindível que haja sempre uma supervisão médica constante.

Esterilização Por Calor Seco

Esse é o método que funciona única e exclusivamente para os materiais que são sensíveis ao calor úmido.

Ele possui certas vantagens em relação a uma capacidade de fazer com que o calor penetre e que não ocorra uma corrosão de metais e dos instrumentos utilizados para cortes.

Porém, é preciso estar ciente de que esse processo irá exigir mais tempo e certa disposição para que os melhores resultados sejam alcançados devido a uma oxidação de componentes celulares.

Radiação Ionizante

Esse é considerado o método mais caro para realizar uma esterilização. Porém, ele tem sido muito usado em casos de tecidos com destino a um transplante e drogas.

Ainda assim, independentemente de toda sua eficiência e bons resultados, perde, por exemplo, para o óxido de etileno, justamente por causa de seu valor de custo muito elevado.

Químicos Líquidos

São diversas as substâncias químicas eficazes no processo de esterilização. Principalmente quando são aplicadas em longos períodos, por exemplo, de seis a dez horas.

Essas são mais recomendadas para uso em materiais que não podem ser utilizados com presença de calor ou óxido de etileno no processo.

Filtração

Esse método tem como objetivo fazer com que bactérias presentes em fluidos farmacêuticos termolábeis que não conseguem ser esterilizados de outras forma, sejam completamente removidas.

Ondas Curtas

É um método eficaz, comumente utilizado com o objetivo de inativar culturas bacterianas, vírus e certos esporos bacterianos. Dessa forma, é preciso que seja mais bem avaliada se for ser usada em hospitais.

Esterilização Por Meios Químicos

Agora, falando um pouco sobre as formas de esterilização que podem ser realizadas por meios químicos, temos seis principais. São elas:

1. Formaldeído

Ele possui três principais funções: fungicida, viruscida e bactericida. Além disso, se agir por 18 horas tem ação esporicida;

2. Glutaraldeído

Apresenta uma potente ação biocida, é bactericida, virucida, fungicida e esporicida

3. Óxido de Etileno

É utilizado na esterilização de produtos médico-hospitalares que não podem ser expostos ao calor ou a agentes esterilizantes líquidos, como exemplo:

  • Instrumentos de uso intravenoso e de uso cardiopulmonar em anestesiologia
  • Aparelhos de monitorização invasiva
  • Instrumentos telescópios (citoscópios, broncoscópios)
  • Materiais elétricos (eletrodos, fios elétricos)
  • Máquinas (marcapassos)
  • Motores e bombas
4. Peróxido de hidrogênio

É um dos produtos de esterilização conhecido pelo seu nome popular, água oxigenada.

É um agente oxidante. Dessa forma, para ter então um poder de ser utilizado como desinfetante, ele deve estar a uma concentração de 3 a 6%.

Porém, é importante saber que ele pode ser corrosivo para instrumentais e pode ser utilizado como opção para esterilização de materiais termo-sensíveis.

Além disso, é também usado na desinfecção e esterilização de superfícies planas e sólidas, na esterilização de capilares hemodializadores, na desinfecção de lentes de contato e outros.

5. Ácido Peracético

Possui uma ação esporicida quando aplicado em temperaturas baixas, mesmo que esteja na presença de um certo tipo de matéria orgânica.

Além disso, esse método pode também ser aplicado em artigos que são termo-sensíveis. Entretanto, todos esses devem também poder ser totalmente mergulhados no líquido.

No caso dos materiais que são feitos de alumínio anodizado, eles não podem passar por esse procedimento de esterilização, uma vez que há uma incompatibilidade entre eles.

Outro ponto importante a ser entendido com relação a esse método é que todos os materiais que forem esterilizados por meio deste devem ser imediatamente utilizados.

6. Plasma de Peróxido de Hidrogênio

Este processo pode ser aplicado em materiais como alumínio, bronze, látex, cloreto de polivinila, silicone, aço inoxidável, teflon, borracha, fibras ópticas, materiais elétricos e outros. Além disso, também não é oxidante.

Agora que falamos sobre cada um dos métodos, vamos entender melhor sobre como os ambientes são esterilizados e sobre como funciona a limpeza de instrumentos odontológicos?

Sala de Esterilização

sala de esterilização

Há mais de um tipo de sala de esterilização e existem alguns detalhes importantes para manter a limpeza impecável. Iremos então detalhar cada uma delas.

Sala de Esterilização Separada

Poder contar com uma sala que seja separada proporciona uma organização mais eficaz de todas as etapas. Além disso, causa menos incômodo para os pacientes e diminui riscos do procedimento, como:

  • Ruídos
  • Calor
  • Risco biológico vindo de instrumentos odontológicos utilizados em outros atendimentos

Pia Para Lavagem das Mãos.

O ideal e mais recomendado é fazer uso de uma torneira que possua um pedal. Caso você não queira comprar uma, saiba que é possível transformar uma que você já tem.

A pia para lavagem das mãos é fundamental que seja separada da pia de limpeza de materiais. Infelizmente esse detalhe é frequentemente esquecido nas salas de esterilização.

Lixeira Dupla com Pedal

Esse é um dos materiais utilizado principalmente para descartar os resíduos infectantes. Essa é uma das ideias mais eficazes para serem usadas em áreas clínicas.

Isso se deve simplesmente ao fato de que ela ocupa menos espaço e consegue organizar muito melhor toda a segregação dos resíduos utilizados pelo dentista.

Além disso, todos os seus reservatórios também são separados e possuem um certo tipo de balde. Esse é responsável então por facilitar e trazer uma maior segurança no transporte dos saquinhos de lixo.

Mecanismo Click Para Abrir Portas e Gavetas

Ele é importante e benéfico uma vez que dispensa o uso de puxadores nas gavetas. Então, não precisar desse contato pode fazer toda a diferença.

Além disso, essas superfícies também podem ser sobrelevas para que não sejam contaminados. Esse mecanismo também possui o benefício de ser facilmente usado.

Outro fator diferencial é que podem ser acionados por meio do click tanto para a abertura, quando para o fechamento, além é claro de deixar um ambiente visualmente agradável.

Lavagem com Detergente Enzimático

lavagem de instrumentais odontológicos

  • Após lavar as mãos, passar antisséptico e calçar luvas de borracha, descarte todo material perfurante, se tiver, em caixas de descarte;
  • Em seguida, coloque os demais materiais imersos em detergente enzimático por 10 minutos e as mangueiras cirúrgicas em hipoclorito de sódio.
  • Se possuir uma cuba ultrassônica, coloque o detergente enzimático e espere 5 minutos que já serão suficientes;
  • Lave a bandeja de aço inox.

Após a Lavagem Com Detergente Enzimático

Após a lavagem com detergente enzimático

  • Remova os instrumentos do detergente enzimático;
  • Esfregue-os com sabão bactericida e escova própria;
  • Enxágue com água corrente;
  • Seque os materiais e coloque-os na bandeja;
  • Verifique se restou algum tipo de impureza.

Uso da Autoclave

uso da autoclave no consultório

  • Depois de estarem secos, embale os instrumentos em papel grau cirúrgico, pois permitem a passagem de vapor quente;
  • Rotule as embalagens com fita zebrada, indicando a data da esterilização. Eles mudarão de cor quando depois de estarem esterilizados. Assim, será possível saber se os instrumentos estão ou não desinfectados;
  • Certifique-se de que as embalagens estão bem-dispostas na autoclave, para que o fluxo de vapor circule de maneira uniforme entre elas;
  • O ciclo de esterilização demora, em média, 60 minutos;
  • A temperatura máxima que a máquina irá alcançar é de 134ºC;
  • Por fim, desligue a autoclave e abra a válvula para o vapor sair;
  • Abra a tampa somente quando o monômetro estiver no zero;
  • Retire o material com luvas resistentes ao calor.

Qual a Diferença Entre Desinfecção e Esterilização?

Qual a diferença entre desinfecção e esterilização?

Como são muitas as diferenças entre esterilização e desinfecção, a maneira mais fácil de entender é evidenciando as características específicas de cada um. Vamos lá?

Desinfecção

É muito importante citarmos que a desinfecção é considerada um procedimento que tem como principal objetivo eliminar uma grande parcela de microrganismos.

Esses podem estar então presentes tanto nas superfícies de equipamentos utilizados no laboratório quanto em instrumentos de uso do cirurgião-dentista.

Normalmente, esse processo é realizado por meio de substâncias como o cloro, o hipoclorito de sódio e o álcool. Além disso, ela pode ainda assim ser classificada como desinfecção de baixa ou alta eficiência.

Desinfecção de Baixo Nível

Quando falamos sobre a de baixo nível, o que ocorre é que as bactérias vegetativas e outros tipos de vírus e fungos são completamente extraídos.

Pelo simples fato de que alguns esporos bacterianos e vírus acabarem permanecendo nos equipamentos, ela não pode ser considerada como uma técnica completa.

Dessa forma, os componentes que são usados para realizar então essa desinfecção de materiais são:

  1. Álcool etílico
  2. Isopropílico
  3. Quartenários de amônia
  4. N-propílico
  5. Hipoclorito de sódio
Desinfecção de Alto Nível

Por outro lado, os componentes químicos que a de alto nível usa são:

  • Glutaraldeído
  • Cloro
  • Hipoclorito de sódio
  • Solução de peróxido de hidrogênio
  • Compostos clorados
  • Ortophtalaldeído
  • Ácido peracético
  • Água superoxidada

Quando esse estágio de limpeza é alcançado somente os esporos bacterianos e os vírus que são classificados como lentos são capazes de sobreviver.

Esterilização

Geralmente utilizado como um método mais completo.  É o método mais eficaz quando falamos eliminar todas as formas de vidas que estão presentes nos materiais de laboratórios.

Se for realizada de forma correta, ela permite que sejam eliminados todos os fungos, as bactérias, os vírus e também os esporos.

Para que isso seja então realizado da melhor forma possível, os agentes químicos que são utilizados durante todo o processo irão variar de acordo com o tipo de material de laboratório e suas resistências a calor e/ou vapor.

São seis tipos de esterilização físicas e três químicas. Elas são respectivamente:

  • Autoclaves
  • Radiação ultravioleta
  • Flambagem
  • Estufas
  • Raios Gama
  • Pasteurizadas
  • Glutaraldeído
  • Formaldeído
  • Ácido peracético

Critérios Para os Sistemas de Esterilização

Existem certas condições que devem ser seguidas rigorosamente para que nenhum erro muito grave ocorra durante o procedimento. É fundamental que o cirurgião-dentista conheça então todos eles.

Por isso, listamos cada um para você:

  • Uso de baixas temperaturas (menos de 60°C);
  • Compatível com diferentes materiais: plástico ou não
  • Ser um método rápido;
  • Não ser tóxico para quem o manuseia;
  • Apresentar uma segurança aos materiais a serem esterilizados;
  • Ser seguro ao meio ambiente;
  • Não deixar resíduos no artigo;
  • Manter atividade frente a resíduos orgânicos;
  • Diminuir a margem de erro humano. Esse deve então ser de fácil manuseio;
  • Uso único de esterilizante, evitando ser esta uma
  • fonte de contaminação cruzada;
  • Ser de baixo custo operacional.

Após finalizar a leitura desse artigo, com certeza ficou bem mais clara a importância de se realizar a esterilização dos instrumentos de odontologia, certo?

Ramiro Murad Saad Neto

Ramiro Murad Saad Neto

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela UNIC. Gestor de clínicas odontológicas e franquias. Residente em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial Facial no Sindicato dos Odontologistas de São Paulo (SOESP - SP). Habilitação em Harmonização Orofacial e integrante da equipe Bucomaxilofacial Dr. Carlos Eduardo Xavier na Clínica da Villa, em São Paulo. CRO - 118151

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