Semiologia odontológica: o que é e para que serve?

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A semiologia odontológica estuda os sintomas de doenças bucais

Quando um paciente apresenta algum problema bucal e vai à uma consulta odontológica, é possível que o dentista encontre alguns sinais de uma doença. Mas para chegar a isso, ele faz uso da semiologia odontológica.

É necessário que o profissional possua um conhecimento a fundo da semiologia odontológica para que, dessa maneira, ele consiga chegar ao diagnóstico correto.

Semiologia odontológica é a área responsável pelo estudo de sintomas de doenças na cavidade bucal humana.

Neste artigo, nós explicaremos o que é semiologia, qual é sua utilidade e como ela funciona. Vamos lá?

O que é semiologia em odontologia?

Para começar, a primeira dúvida que iremos tirar é: o que é semiologia em odontologia?

Também conhecida como estomatologia, a semiologia é responsável por estudar a boca tendo como foco as lesões internas e externas da cavidade bucal e do complexo maxilo-mandibular.

Assim, esta especialidade estuda as seguintes áreas:

  • Linfonodos;
  • Vasos sanguíneos;
  • Enervação;
  • Musculatura oral;
  • Glândulas salivares;
  • Patologias bucais.

De tal forma, é possível entender que esta é uma área muito ampla e farta de materiais para estudo.

Contudo, a principal luta enfrentada por profissionais deste segmento é pela prevenção contra o câncer de boca, um dos maiores problemas quando falamos em patologias bucais.

Para isso, o ponto central de estudo é feito nos:

  1. Dentes;
  2. Gengivas;
  3. Língua;
  4. Bochecha.

Profissionais especializados em semiologia podem diagnosticar, prevenir, tratar e reabilitar a boca das doenças que a acometem.

Para que serve?

Agora, falaremos sobre o uso e a importância da semiologia em odontologia.

O diagnóstico em odontologia é fundamental para traçar o melhor tratamento para o paciente. Falando especialmente do especialista em semiologia, sua capacitação permite identificar os seguintes problemas:

  • Aftas;
  • Cárie dental;
  • Queilites;
  • Lesões escurecidas;
  • Candidíase oral;
  • Herpes; Úlceras;
  • Lesões traumáticas;
  • Diferenciar leucoplasia e líquen plano.

Em outras palavras, é possível entender que o profissional é capaz de diagnosticar todos os tipos de lesões e doenças que acometem lábios, língua, bochecha e dentes.

Quais as manobras da semiologia odontológica?

Por fim, é necessário explicar quais são as formas utilizadas pela semiologia aplicada à odontologia para poder chegar ao diagnóstico.

Afinal, existem métodos que os especialistas aprendem para poder identificar cada uma das eventuais doenças.

Confira abaixo quais são as manobras de semiologia:

  1. Inspeção;
  2. Diascopia (vitropressão);
  3. Palpação;
  4. Percussão;
  5. Punção;
  6. Olfação;
  7. Auscultação;
  8. Exploração;
  9. Raspagem.

Para entender melhor cada uma delas, explicaremos separadamente:

Inspeção

O profissional utiliza a visão direta, a olho nu, e a indireta, por meio de lentes e espelhos.

O processo pode ser facilitado por secagem com ar, uso de afastadores e boa iluminação.

Diascopia (vitropressão)

A manobra é feita da seguinte forma:

  • Checagem da correlação entre lesão e vascularização;
  • Observação da estrutura comprimida com uma lâmina de vidro;
  • Se a lesão desaparece, ela tem origem vascular, mas se não desaparece, possui origem pigmentar;

Os principais pontos analisados por esta técnica são:

  1. Isquemia: sangue contido em vasos, podendo ser hiperemias, hemangiomas, teleangiectasias e varicosidades;
  2. Persistência de coloração: hematomas, inflamações, eritroplasias, grandes nódulos ou pápulas.

Palpação

Por meio da palpação, o profissional percebe o endurecimento ou o amolecimento do local, bem como alterações da superfície e crescimentos teciduais.

Para realizar isso, o dentista deve tocar com as pontas dos dedos e avaliar de forma minuciosa os seguintes pontos:

  • Textura;
  • Espessura;
  • Consistência;
  • Sensibilidade;
  • Volume;
  • Temperatura.

Percussão

Pode ser feito de maneira direta ou indireta através do ato ou efeito de tocar ou bater no local.

Para isso, deve ser utilizado o cabo dos instrumentos para poder comparar a sensibilidade dos tecidos periodontais laterais e apicais.

Por último, deve ser avaliado o estado físico do conteúdo, se está líquido, semissólido ou sólido.

Punção

Com o auxílio de uma seringa, deve ser feita a aspiração do conteúdo líquido de uma lesão.

Normalmente, a técnica é aplicada em lesões vasculares que estão cheias de sangue.

Olfação

Com a manobra, o profissional consegue sentir os odores vindos da boca do paciente.

A olfação permite detectar os seguintes pontos:

  • Halitose;
  • Consumo de bebidas alcoólicas;
  • Cheiro cetônico de diabéticos;
  • Pus;
  • Necrose dentro da boca.

Auscultação

O termo técnico auscultação é aplicado quando o profissional escuta os sons internos do corpo, normalmente com o auxílio de um estetoscópio.

A sua aplicação na odontologia é para ouvir sons e ruídos gerados na articulação temporomandibular.

Exploração

A exploração serve basicamente para o profissional avaliar o interior de determinadas estruturas orgânicas com o auxílio de um espelho para analisar problemas estruturais.

Raspagem

Já a raspagem, por sua vez, é o ato de flexionar e esfregar áreas da mucosa bucal, como áreas brancas que se destacam quando raspadas.

O intuito do procedimento é analisar problemas dentários e estruturais da boca.

No entanto, é necessário entender que mesmo os dentistas não especializados em semiologia odontológica são capazes de realizar um diagnóstico efetivo contra diversas doenças.

Valdir de Oliveira

Valdir de Oliveira

Cirurgião-dentista graduado em Odontologia pela Universidade de Santo Amaro (UNISA). Pós-graduado em Ortodontia e Ortopedia dos Maxilares pela Sboom. Com especialização e mestrado em Implantodontia, habilitação em Harmonização Orofacial e Anatomia da Face. Professor nas áreas de Cirurgia Bucomaxilo Facial e Harmonização Orofacial. Voluntário há mais de 20 anos na Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais - ADRA Brasil.

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