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PACIENTES

Aspirina pode reverter danos causados pela cárie?

Comprimidos brancos esparramados em cima de uma supefície.

Medicamento pode ter efeitos positivos e negativos na cavidade oral

Os medicamentos são mecanismos importantes e eficientes como meio de tratamento de doenças e no alívio sintomático de dores. Alguns deles tornaram-se muito populares com o passar dos anos, especialmente os de fácil acesso farmacológico, como a aspirina.

A aspirina é dos medicamentos mais importantes e mais consumidos em todo o mundo. Sua sintetização como a conhecemos possui mais de 100 anos, estando presente no mercado desde 1899.

O ácido acetilsalicílico (AAS), popularmente conhecido como aspirina, é um analgésico da classe dos anti-inflamatórios não-esteroidais (AINEs).

Usando a aspirina para tratar dores odontológicas

Com mecanismos de ação analgésica, anti-inflamatória e antipirética, a principal indicação da aspirina é para o alívio de dores de baixa a média intensidade. Além disso, é eficiente no alívio da febre.

Por isso, com o passar dos anos, a aspirina tornou-se um dos medicamentos mais utilizados pela população no alívio dos sintomas da gripe, de resfriados e de dores cotidianas, como de cabeça, muscular e de garganta.

No campo da odontologia, a aspirina também é um medicamento popular. Assim, sua principal função é o alívio da inflamação da polpa dentária, condição conhecida pela dor de dente, que é causada por:

Apesar de ser um remédio de fácil acesso e de ser adquirido sem a necessidade de receita médica, a automedicação nunca é indicada. Portanto, ao sentir algum desconforto bucal, antes de se automedicar, o paciente deve consultar um dentista de confiança.

Isso porque a dor pode ser proveniente de várias causas. Ao tomar um medicamento sem orientação médica, além de colocar em risco sua saúde – uma vez que todo remédio possui contraindicações e possíveis efeitos colateiras -, um analgésico como a aspirina não será capaz de resolver totalmente o seu problema, apenas amenizar a dor.

Se o tratamento apropriado não for realizado rapidamente pelo dentista e o paciente “mascarar” o problema com o uso de analgésicos, o problema pode ficar cada vez pior.

No caso das doenças periodontias, por exemplo, se umas gengivite – causada pela placas bacteriana – não for tratada, pode evoluir para a periodontite, estágio mais grave que leva à perda dentária.

Contraindicações da aspirina

Se seu dentista indicar o uso da aspirina, é importante seguir as orientações corretamente, como a dose indicada e o tempo de uso.

O paciente não deve fazer uso do medicamento em casos de:

A aspirina pode regenerar um dente acometido pela cárie?

Além do alívio das dores comuns à área odontológica, a aspirina vem sendo estudada pela comunidade científica como um agente estimulante para a regeneração dos dentes prejudicados pela cárie dental.

Trata-se de um novo estudo da Queen’s University de Belfast, na Irlanda do Norte, que testou como a forma líquida da aspirina reagia sobre as células-troco dos dentes. O resultado mostrou que essa combinação era capaz de produzir dentina (camada interna do dente deteriorada pela cárie).

O processo de regeneração dental natural é capaz de renovar apenas uma fina camada de dentina danificada. Isso quer dizer que se a deterioração causada pela cárie dentária for grande, o dente não será capaz de se regenerar de forma natural.

Hoje, a odontologia trata a cárie com a remoção do tecido infectado e a aplicação de selantes e de resina na cavidade. A obturação impede que a cárie atinja a polpa do dente – condição que a comprometeria por completo.

Quando a polpa do dente é atingida pela cárie, o tratamento consiste na sua retirada parcial ou completa, a depender da gravidade. Esse é o tratamento conhecido como canal.

O estudo realizado na Irlanda do Norte também demonstrou a ação da aspirina na regeneração dos minerais da polpa, deixando a estrutura mais fortificada.

O que essa descoberta indica?

A descoberta da ação do ácido acetilsalicílico sobre as células-tronco do dente indica um grande avanço científico no tratamento da cárie dentária. Contudo, esses estudos ainda estão em desenvolvimento.

A perspectiva é que a ciência descubra uma maneira de aplicar o ácido acetilsalicílico nos dentes, de forma a substituir a necessidade de um selante dentário.

O desafio é criar uma nova terapia que possa regenerar os dentes, o que significa que o simples ato de aplicar a aspirina no dente ou tomá-la regularmente não é eficaz no tratamento de cáries.

O medicamento só traz benefícios?

Em contrapartida aos estudos com as células-tronco, outras pesquisas também mostram os efeitos negativos da aspirina sobre os dentes. Elas relatam a influência do ácido acetilsalicílico na a erosão dentária.

Os trabalhos mostram estudos de laboratório e casos clínicos de pessoas que ingeriram seis doses de aspirina em pó por ano em um período de dois a três anos. 

O estudo clínico demonstrou severa erosão na superfície oclusal dos pré-molares inferiores, em suas superfícies voltadas para a língua. 

Uma outra pesquisa mostrou o caso de crianças que sofriam de artrite reumatoide e tomavam o ácido acetilsalicílico em comprimidos, mastigando-os. O resultado foi de severa erosão nos molares primários superiores e inferiores e nos primeiros molares permanentes. 

Por outro lado, as crianças que engoliram a aspirina sem mastigar não apresentaram erosão no esmalte dentário, o que comprovou que os danos foram causados pelo processo de mastigação dos comprimidos, seja pelo atrito ou pelo excesso de contato das substâncias do comprimido com a superfície dentária. 

Com isso, vemos que, dependendo da forma como o ácido acetilsalicílico é ingerido, a estrutura da superfície do dente pode ser afetada. Fora isso, é possível que o ácido acetilsalicílico irrite os tecidos moles da boca, como a gengiva.

Portanto, ressaltamos novamente que qualquer medicação, incluindo a aspirina, deve ser indicada e ter seu tratamento supervisionado por um profissional da saúde. Em casos de dúvidas sobre a sua utilização, consulte um dentista.

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